Brasília - Em 30 dias a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deve divulgar relatório definitivo sobre a causa da morte da bezerra ''Vitoriosa da Embrapa'', primeiro animal clonado a partir de um outro clone na América Latina. Vitoriosa nasceu em fevereiro e morreu no dia 30 de maio, provavelmente por choque cardiogênico causado por hipertensão arterial. Nesses quatro meses, o animal teve desenvolvimento dentro do esperado.
''Trata-se de morte súbita, o que não é novidade na medicina veterinária, mas a causa da morte pode estar associada ao fato do animal ser um clone'', avaliou o pesquisador da Embrapa Rodolfo Rumpf, líder das pesquisas de reprodução animal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
Segundo Rumpf, apesar de ter ocorrido há um mês a morte da bezerra só foi divulgada hoje porque os pesquisadores queriam primeiro levantar informações sobre a causa. Foi feita necropsia e coletado material para exames complementares. A causa da morte está sendo avaliada pelo Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba. Um terceiro laudo foi solicitado a laboratório do Rio de Janeiro.
Reclonagem - Os pesquisadores da Embrapa continuarão fazendo ''reclonagem'' de animais, mas não necessariamente com células de ''Vitória'', animal nascido em 2001, primeiro clone da América Latina, disse Rumpf.''Vitoriosa'' era um clone feito a partir de células isoladas de um pedaço de pele retirado da orelha de ''Vitória'', quando esse animal tinha aproximadamente um ano.
Apesar da morte de ''Vitoriosa'', houve avanço na pesquisa, avalia Rumpf. ''O animal conseguiu viver, o que já é um grande passo'', disse. Na primeira semana de vida, a temperatura de ''Vitoriosa'' ficou acima do normal, chegando a 40,3 graus, contra máximo de 39 graus em bezerros normais. ''A temperatura acima do normal passou a ser importante agora para podermos entender o motivo da morte'', afirmou.
É alto o índice de mortalidade de clones. ''De 1% a 5% de todos os embriões transferidos vão sobreviver. Num experimento feito no Japão, de sete bezerros gerados, cinco morreram'', afirmou. ''Chegar aos quatro meses, como aconteceu com a Vitória, é raro. O maior índice de mortalidade acontece na primeira semana.''
O desenvolvimento do clone de um outro clone fazia parte da tese de doutorado da estudante Lílian Iguma no Curso de Pós-Graduação em Biologia Molecular da Universidade de Brasília (UnB). No experimento foram produzidos 35 embriões transferidos para 17 receptoras, ou ''mães de aluguel'', como são mais conhecidas. Desde o seu nascimento, ''Vitoriosa'' era monitorada em relação aos aspectos clínicos, hematológicos e bioquímicos por equipes da Embrapa e do Hospital Veterinário da UnB.

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