Morre Barbosa, ex-goleiro da seleção brasileira de 50
Agência Folha
De São Paulo
Moacir Barbosa, escolhido como o grande culpado pela maior tragédia da história do futebol brasileiro, foi enterrado ontem no cemitério Morada da Grande Planície, na Praia Grande (SP). O ex-goleiro da seleção brasileira morreu às 22h30 de anteontem, aos 79 anos, na Santa Casa da Praia Grande, por problemas decorrentes de um acidente vascular cerebral sofrido na última quarta.
Barbosa era o goleiro do Brasil em 16 de julho de 1950, quando a seleção foi derrotada por 2 a 1 pelo Uruguai no Maracanã na final da única Copa disputada no país.
Foi um dos 11 brasileiros que falharam no segundo gol uruguaio, marcado por Alcides Gigghia, aos 34 minutos do segundo tempo, quando o atacante avançou pela ponta direita, venceu Bigode e, surpreendendo a todos, que aguardavam um cruzamento, chutou rasteiro, colocando a bola entre a trave esquerda e a perna de Barbosa e emudecendo instantaneamente 200 mil pessoas.
Nascido em Campinas (SP), em 27 de março de 1921, Barbosa iniciou a carreira no clube paulista do Comercial, de onde se transferiu para o Ypiranga. A consagração, entretanto, aconteceu no Vasco da Gama, clube que defendeu de 1945 a 1955 e de 1958 a 1962. Abandonou a carreira profissional em 1963. Apesar das dificuldades financeiras que enfrentou na velhice, foi, ironicamente, entre 70 e 72, secretário da Fundação de Garantia ao Atleta Profissional, no Rio. Aposentou-se como funcionário da Suderj (Superintendência de Desportos do Rio).
Barbosa vivia sozinho em Praia Grande. Seus únicos parentes (uma cunhada e um sobrinho) não moravam com ele. Nós éramos a família dele aqui na Praia Grande, afirmou Debora.
Nos últimos anos, Barbosa passou a ter assistência também de Teresa Conceição Borba, 39, mãe de Debora, ambas moradoras da Praia Grande. Minha mãe quis ajudá-lo e passamos a conviver com ele até os seus últimos dias, disse Debora.
O presidente do Clube Atlético Ypiranga, Roberto Nappi, clube paulistano que extinguiu seu futebol profissional em 59 e onde o goleiro Barbosa iniciou sua carreira, compareceu ao velório e disse: Barbosa cumpre hoje o último dia de sua pena, referindo-se ao estigma que o perseguiu desde 1950.





