Um dos mais populares radialistas do Brasil, Zé Bettio, que ajudou a lançar no mercado duplas sertanejas como Chitãozinho e Xororó e Milionário e José Rico, morreu na segunda-feira (27), aos 92 anos.

O corpo foi sepultado no Cemitério do Horto Florestal ainda na segunda-feira. De acordo com relatos, a família optou pela discrição nas cerimônias antes de divulgar a notícia para a imprensa.

Zé Bettio morreu na madrugada, em sua casa, no bairro Horto Florestal, zona norte de São Paulo.

Iniciou a carreira artística como sanfoneiro e participou dos grupos Sertanejos Alegres e Zé Bettio e Seu Conjunto. Mas, ao assumir o microfone da rádio Difusora de Guarulhos para ler um anúncio, agradou com seu jeito simples e coloquial e acabou sendo contratado. Depois, na Rádio Cometa, tornou-se conhecido ao colocar para tocar músicas sertanejas raiz e criar bordões.

Considerado o "radialista totem de todos os sertanejos", ele também trabalhou na Rádio Capital e na Rádio Record, de onde se aposentou em 2009 aos 81 anos. Em 2016, sofreu um AVC.

BORDÕES ETERNIZADOS

"Manhê, manhê! O maridão não quer acordar? Joga água nele. Quem é? É o Zé Bettio!", dizia toda manhã, das 5h às 7h, o sanfoneiro que se tornou radialista, conhecido em São Paulo na rádio Cometa e dono de uma das maiores audiências das décadas de 1970 e 1980, na rádio Record.

Tornou-se dono de outra frase famosa: "Gordo, ô gordo!" Fazia do Cine Coliseu sua casa de shows com o Bailão do Zé Bettio, que todo final de semana recebia artistas e lotava. Se dizia ele mesmo o sanfoneiro mais premiado do Brasil.

Também era amante da natureza. Gravava com o próprio gravador sapos e grilos cantando quando estava em uma de suas fazendas, em Rinópolis (SP). Depois, colocava para tocar o som dos bichos em seu programa matinal. E mandava mel fresco, recém-feito, para os amigos. Sempre com o conselho: "Toma mel com limão que é bom pra saúde".

Dificilmente aparecia na televisão, só alguns discos bem antigos que guardavam fotos suas ainda novo. Era para criar um mistério, diz o amigo e também sanfoneiro Fiovarante.

Zé Bettio ia lançar um livro sobre sua história, mas não chegou a escrevê-lo. Deixa um filho, José Homero, e a esposa Leonilda. (Com Folhapress)

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