São Paulo - O escritor e dramaturgo Ariano Suassuna morreu ontem no Recife, aos 87 anos, após sofrer um AVC hemorrágico. Ele deu entrada no Real Hospital Português às 20 horas de segunda, e foi submetido a uma cirurgia neurológica de emergência.
Uma de suas últimas aparições públicas foi no dia 16, quando ministrou uma de suas "aulas-espetáculos" em Salvador. Ele tinha outra aula marcada para 5 de agosto, em Curitiba, e viria a São Paulo em outubro.
Autor do "Romance d'A Pedra do Reino" e de clássicos do teatro nacional como "O Auto da Compadecida" e "O Santo e a Porca" e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele também sofria de diabetes.
Nos anos 1990, Suassuna ampliou sua popularidade nacionalmente ao rodar o país com suas "aulas-espetáculos", misto de palestra, concerto e espetáculo de dança, em que exibia com graça de palhaço a sua erudição e seu fervor pela cultura brasileira.
Em dezembro passado, em entrevista à Folha de S.Paulo, o escritor afirmou ter feito "um pacto com Deus" para, apesar dos problemas de saúde, conseguir concluir o primeiro volume do romance monumental em que trabalha há 33 anos e que deverá ter ao todo sete volumes. Na ocasião, contou que a obra completa se chamará "A Ilumiara" - o livro de abertura, um romance epistolar, será "O Jumento Sedutor" - e revelou versos que estarão ao final das cartas que encerrarão os capítulos.
Suassuna deixa a mulher, Zélia, com quem foi casado por 56 anos, cinco filhos e 15 netos.

OITAVO FILHO
Ariano Vilar Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927 em João Pessoa (PB). Foi o oitavo dos nove filhos de Rita de Cássia Dantas Vilar e de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna.
Após a morte do pai, assassinado em 1930 por motivos políticos, Suassuna se muda para Taperoá (PB) com a família. É nesta cidade, no norte da Paraíba, que o futuro escritor ouve um desafio de viola e assiste uma peça de mamulengo pela primeira vez. Os dois tipos de manifestação artística vieram a ter grande influência em sua obra. Em 1990, tomou posse na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 32.

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