Agência Estado
De São Paulo

O cantor, violonista e violeiro Xavantinho (foto), da dupla Pena Branca e Xavantinho, morreu no início da tarde de ontem, no Hospital Nipo-Brasileiro, em São Paulo, de insuficiência respiratória e falência múltipla dos órgãos. Xavantinho tinha 58 anos e havia sido internado na quarta-feira por problemas respiratórios.
Xavantinho nasceu em Uberlândia (MG). Recebeu o nome de Ranulfo Ramiro da Silva. Menino, trabalhou na roça, com os pais e os cinco irmãos – entre eles, José Ramiro Sobrinho, três anos mais velho, que mais tarde adotaria o nome artístico de Pena Branca. Em 1970, a dupla ganhou um festival de música sertaneja promovido pelo radialista Zé Bettio.
Gravaram a música vitoriosa, ‘‘Saudade’’. Pena Branca chegou a desistir da carreira, uns anos depois. Xavantinho, não: acreditava no poder da música da dupla. Poder finalmente reconhecido pelo produtor Roberto Oliveira, em 1980, que levou a dupla a estúdio, para fazer o primeiro disco, ‘‘Velha Morada’’.
No mesmo ano, Pena Branca e Xavantinho se classificaram num festival da TV Globo a música ‘‘Que Terreiro é Esse?’. O cantor e apresentador Rolando Boldrin os levou para seu novo programa de televisão, ‘‘Som Brasil’’, na TV Globo. Boldrin produziu o segundo disco deles, ‘‘Uma Dupla Brasileira’’. O terceiro disco, ‘‘O Cio da Terra’’, veio só em 1987. A canção título era de Milton Nascimento e Chico Buarque.
Pena Branca e Xavantinho gravaram mais seis discos, todos premiados. ‘‘Cantadô do Mundo Afora’’, de 1990, recebeu o Prêmio Sharp de melhor disco do ano e de melhor música, por ‘‘Casa de Barro’’, de Xavantinho e Moniz. Outro trabalho premiado foi ‘‘Ao Vivo em Tatu풒, que Pena Branca e Xavantinho dividem com o cantor Renato Teixeira. O último trabalho deles foi ‘‘Coração Mulato’’, que saiu no ano passado.
A obra da dupla representa o que há de mais refinado na música sertaneja, sem concessão a modismos ou injunções de mercado. O corpo de Xavantinho deve ser sepultado em Uberlândia.

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