Morre ambulante que foi
queimada durante protesto
Agência Estado
A ambulante Rita de Cássia Ribeiro de Araújo, de 35 anos, morreu na tarde de ontem após oito dias de internação no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio. Ela teve 50% do corpo queimado em um conflito entre camelôs e a Guarda Municipal (GM), em Madureira, na zona norte, no dia 29 de abril.
De acordo com boletim médico divulgado pelo hospital, Rita de Cássia começou a piorar na tarde de quarta-feira. Ela apresentou insuficiência respiratória e infecção generalizada e precisou ser entubada - conectada a um respirador. Ontem pela manhã, os médicos consideraram o caso de Rita gravíssimo. A ambulante morreu às 12h15. Rita de Cássia era casada e deixou três filhos, com idades entre nove e 17 anos. Amigos e parentes da camelô passaram a tarde de ontem em frente ao Instituto Médico Legal (IML), esperando a liberação do corpo. ‘‘Que país é este onde uma mulher luta para trabalhar e acaba morta?’, perguntava a ambulante Neusa Ferreira, amiga de Rita, na porta do IML. Ambulantes de Madureira também estiveram na Câmara dos Vereadores, pedindo dinheiro para o enterro de Rita de Cássia. A ambulante queimou-se quando tentava acender uma fogueira, em protesto contra a atuação da Guarda Municipal. Com base em lei da Câmara dos Vereadores, os camelôs estavam armando suas barracas na Estrada do Portela, principal rua do bairro, após dois meses sem trabalhar, quando a GM atacou-os com cães e cassetetes.

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