Morre adolescente vítima de leishmaniose no interior de SP
Agência Estado
Uma adolescente de 15 anos, da cidade de Araçatuba, a 550 quilômetros de São Paulo, é a primeira vítima da leishmaniose no Estado de São Paulo. Outras duas pessoas foram contaminadas, mas se recuperaram após o tratamento. Internada em estado grave no Hospital das Clínicas da Unesp, em Botucatu, desde o dia 18 de maio, Patrícia Oliveira Jesus morreu na madrugada de ontem.
A confirmação do óbito foi feita por Lucilene Araújo, diretora da Vigilância Epidemiológica de Araçatuba. Ela informou que a menina tinha um cão contaminado com a leishmaniose e começou a apresentar os sintomas da doença em fevereiro de 98. Como os médicos da cidade não conseguiram diagnosticar o problema, a família procurou ajuda em Botucatu. Para Lucilene, o fato de ser doença rara pode ter retardado o exame da leishmaniose, que tem cura se tratada nos primeiros meses.
O exame sorológico com resultado positivo só chegou há uma semana, quando a adolescente já estava internada na unidade de terapia intensiva do hospital da Unesp. Patrícia morava numa casa simples do bairro Paraíso, periferia da cidade e um dos principais focos de leishmaniose positiva em cães.
A Vigilância Epidemiológica anunciou ontem que apenas um terço da cidade de Araçatuba recebeu a visita técnica dos agentes que fazem o inventário canino, localizando a leishmaniose nos animais por exames de sangue. Mil cachorros já foram sacrificados.
Com a morte de Patrícia, os moradores e cães num raio de 200 metros deverão ser submetidos a exames de sangue. A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) vai pulverizar cada casa do bairro Paraíso para matar o mosquito Lutzomyia longipalpis, também conhecido como birigui, o principal responsável pela transmissão da doença entre cão e homem. O habitat do birigui são as matas ou pastagens onde há concentração de matéria orgânica em decomposição. A Vigilância Sanitária ainda desconhece os motivos que levaram o mosquito a se reproduzir em grande quantidade na cidade.
Há dois anos a leishmaniose foi encontrada em cães na cidade de Araçatuba. As formas mais comuns da doença são a cutânea e a visceral, também chamada de calazar. A primeira provoca lesões permanentes na pele do rosto, braços e pernas. A segunda ataca o fígado, baço e medula óssea.
No homem os sintomas da doença são febre, emagrecimento, aumento do volume do abdômen, cabelo seco, crescimento dos cílios, desnutrição. No cão, emagrecimento, crescimento das unhas, queda dos pêlos, falta de apetite e infecção da pele.





