Morre a cantora Dircinha Batista, uma das rainhas do rádio
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 28 (AE) - A cantora Dircinha Batista, de 71 anos, morreu às 2h30 desta madrugada, no Hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio, uma hora e meia depois de chegar de ambulância da Casa de Repouso Doutor Eiras, onde morava desde os anos 80. Ela e a irmã, Linda Batista, foram rainhas do rádio, nos anos 40 e 50. Eram a dupla preferida do então presidente Getúlio Vargas. Dircinha foi enterrada às 16 horas, no cemitério João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio.
Dircinha Batista morreu de insuficiência respiratória agravada por uma cardiopatia, que tratava no hospital onde foi atendida. Os fãs e amigos diziam que seu mal havia sido o ostracismo a que foi relegada no início dos anos 60, quando a música brasileira tomou outros rumos e a televisão rejeitou os artistas mais velhos.
A última amiga a visitar Dircinha foi a atriz Nicette Bruno, que a interpreta já madura no musical "Somos Irmãs", em cartaz no Teatro Hilton, em São Paulo. Nicette, que a conheceu por causa do espetáculo, era das poucas pessoas que a visitavam com frequência. "Ela tinha muito humor e estava completamente lúcida na quarta-feira", contava Nicette no velório da cantora. Foi uma das primeiras a chegar, acompanhada pelo marido, o ator Paulo Goulart. "Não é preciso fazer uma homenagem especial para Dircinha porque esse tributo é feito com a encenação diária da peça" disse Nicette.
"Ela foi, ao lado da irmã, Linda Batista, importantíssima para a divulgação da música brasileira até no exterior", informava a atriz Suely Franco, que vive Linda Batista madura em "Somos Irmãs". A cantora Emilinha Borba, uma das primeiras a chegar ao cemitério, também falou do ostracismo de Dircinha. "Ela não aguentou o desprezo da mídia com os artistas que não estão no auge", disse.
Sandra Louzada, autora do texto de "Somos Irmãs", confessava que sua vida se dividia em antes e depois das Irmãs Batistas, como eram conhecidas Dircinha e Linda. ."Quem cuidava dela era o cantor José Ricardo, que se tornou seu amigo nos anos 80", comentou Sandra. José Ricardo morreu há um mês, depois de ter dado toda a assessoria para a peça sobre a vida das duas irmãs.
"A Dircinha ficou muito feliz e sempre comentava como era bom ter voltado à mídia", contou Sandra. "Mas acho que ela não superou a morte do José Ricardo, a quem considerava como um filho que sempre quis ter." Dircinha não tinha parentes vivos. Suas duas irmãs haviam morrido nos anos 80 e nenhum delas teve filhos. O velório e o enterro foram acompanhados por cerca de cem pessoas, fãs e amigos, como os cantores Bob Nelson, Marlene, Aguinaldo Timóteo, Francisco José e pela atriz Dercy Gonçalves.


