Arquivo FolhaA professora Mercedes chegou a Londrina em 1936 com a intenção de ficar apenas seis meses e nunca mais foi embora. Ela considerava o magistério um ‘apostolado’Da Redação
Morreu ontem, no final da tarde, a primeira professora de Londrina, Mercedes Martins Madureira, 83 anos. O corpo está sendo velado na Câmara Municipal. O sepultamento será às 11 horas, no Cemitério São Pedro. A professora Mercedes estava internada na UTI do Hospital Evangélico desde quarta-feira e morreu vítima de septicemia, insuficiências cardíaca e vascular, além de diabetes.
Ela chegou a Londrina em 1936 para trabalhar na Escola Isolada, fundada pelo prefeito Willie Davids. Em entrevista dada à Folha há cerca de três anos, ela dizia que veio de Curitiba para o Norte do Paraná com a intenção de ficar apenas seis meses. Mas nunca mais quis voltar. Ela tinha 20 anos e era recém-formada.
Mercedes Martins Madureira foi a primeira mulher a receber o título de Cidadã Honorária de Londrina, em 1962. Ela ocupou diversos cargos na hierarquia da educação na cidade. Foi diretora do Colégio Hugo Simas (de 1941 a 1971), inspetora e delegada regional de ensino, trabalhou por nove anos em sua própria instituição, a Escolinha da professora Mercedes. Hoje, uma escola do jardim Shangri-lá leva seu nome. Apaixonada pela carreira, ela sempre dizia que a vida de professor é uma vida de emoção. Outra frase que repetia era: ‘O professor é um abnegado, o Magistério é um apostolado’.
Quando a professora chegou a Londrina, a cidade não passava de uma grande clareira que ela classificava de inóspita e insalubre. A escola isolada que trabalhou era nada mais que uma sala com 20 carteiras duplas, um armário e um quadro-negro, onde hoje é o edifício Júlio Fuganti. Havia 40 alunos de 1ª a 3ª série.
A professora começou a lecionar no Hugo Simas em 1937. Ela adotou, em classe, o ensino do xadrez e costumava dizer que todo professor deveria levar, a cada dia, uma coisa nova para trabalhar com os alunos. Dona Mercedes se casou em 1953 com Aparício Madureira, que era fiscal do Departamento de Edificações do Estado. O casal teve uma filha, Maria Aparecida.
A professora se orgulhava ao lembrar que, em quatro décadas de magistério, nunca pediu licença para tratamento de saúde. Ela deixa o marido, a filha e uma neta, Andréa.

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