São Paulo- Ainda não identificado, de cor branca, com aproximadamente 45 anos, morreu, por volta da 1h30 de ontem, mais um dos 10 mendigos atacados em cinco pontos diferentes do Centro da capital paulista, na Rua São Bento, Rua Tabatinguera, Praça da Sé, Rua da Glória e Rua 15 de Novembro. O crime ocorreu entre por volta das 3h30 de anteontem. Acredita-se que os assassinos façam parte de um grupo de extermínio.
Com mais um óbito, registrado no Pronto-Socorro Municipal Vergueiro, sobe para 4 o número de moradores de rua mortos pelos criminosos, que continuam foragidos. Os investigadores apuram ainda a participação de skinheads ou de uma guerra entre moradores de rua. As vítimas estavam com os rostos desfigurados, e foram atingidas por pancadas de objeto contundente.
Ontem, o superintendente da Distrital-Centro da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Mateus Ordine, negou a possibilidade de comerciantes da região terem encomendado o espancamento dos dez moradores de rua na região central da cidade. Essa é uma das hipóteses que estão sendo investigadas pela polícia.
''Não acredito nisso e repudiamos essa agressão'', reagiu Ordine. ''Na civilização moderna, fatos como esse não passam pela cabeça de ninguém normal.''
A chacina foi ontem o principal assunto dos candidatos à Prefeitura de São Paulo. Paulo Maluf (PP) responsabilizou o governo municipal pelo crime e José Serra (PSDB) criticou a atual administração, em resposta ao que considerou críticas indiretas do PT à atuação do Estado. Para Luiza Erundina (PSB), o caso evidencia a falta de políticas públicas para os moradores de rua. A prefeita, Marta Suplicy(PT), optou por ''colocar panos quentes'' e dizer que todos deveriam unir-se nesse caso.
Pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), realizada em 2003, mostra que mais de dez mil pessoas dormem nas ruas, praças, viadutos, vias expressas, cemitérios e albergues da cidade de São Paulo.

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