Morreu na madrugada de ontem no Hospital Universitário (HU) de Londrina o quarto paciente que teria sofrido parada cardiorrespiratória após ser medicado com dipirona sódica injetável. Horácio Aguilar, 80 anos, recebeu a medicação no Pronto-Atendimento Municipal (PAM) no dia 5 de setembro. A família adiantou que vai cobrar responsabilidades porque teria avisado o médico, antes da aplicação, que o aposentado era sensível ao medicamento. A versão é diferente da apresentada pela Secretaria Municipal de Sáude que ontem montou uma comissão com representantes da 17 Regional de Saúde para investigar o caso.
A morte de Horácio somou-se a outras três - outros dois idosos de Londrina e uma criança de quatro anos, de Prado Ferreira (PR) - que também podem ter relação com o uso de dipirona sódica na forma injetável. Três lotes do medicamento de dois laboratórios diferentes foram interditados pela Vigilância Sanitária em todo o Estado. Amostras do remédio estão sendo analisadas pelo Laboratório Central (Lacen), em Curitiba.
O sobrinho de Horácio, Alessandro José Aguilar, 28 anos, contou que o aposentado estava reclamando de dor no joelho quando foi levado ao PAM. Segundo ele, a família avisou o médico que Horácio era sensível à dipirona - antes que ele prescrevesse o medicamento. Mesmo assim, o profissional que o atendeu teria insistido em fazer a medicação. Assim que a aplicação começou a ser feita, o aposentado sofreu uma parada cardíaca, foi reanimado e transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HU. Permaneceu internado 27 dias e faleceu ontem de disfunção de múltiplos órgãos, choque séptico, broncopneumonia e choque anafilático, quadro bastante semelhante ao das outras mortes. O sepultado acontece hoje no Cemitério Padre Anchieta (Zona Leste).
O aposentado era solteiro, não tinha filhos e vivia com os pais de Alessandro em uma chácara no Conjunto Eucaliptos (Zona Leste). Conforme a família, ele tinha boa saúde, raramente tomava remédios e, afora a dor no joelho, não havia reclamado de qualquer outro desconforto antes de passar mal. Por isso, os familiares pretendem contratar advogado um advogado para acompanhar os desdobramentos das investigações que estão sendo feitas pela Secretaria Municipal de Saúde.
A gerente de informações à Saúde do Município, Simone Garani Narciso, reafirmou que, no prontuário feito no PAM, a informação do médico é que familiares teriam relatado que o aposentado era pouco tolerante à dipirona após a aplicação do medicamento. Sobre o óbito, Simone disse que teria ocorrido em consequência de uma internação prolongada.
A comissão criada ontem, com quatro profissionais do Município e dois da 17 Regional, vai investigar cada um dos quatro casos de morte. Uma dupla segue hoje para Prado Ferreira, outra vai para o HU e a última investiga o prontuário do óbito registrado na Santa Casa. ''Todos (os dados) serão juntados até termos a resposta definitiva por parte do Lacen'', apontou Simone.

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