Rosa Saleme, 88 anos, mora sozinha, em um apartamento no centro de Curitiba, desde que ficou viúva, há 20 anos. Fato que, para ela, está bem longe de ser um problema. ''Eu moro sozinha, mas não vivo sozinha'', comenta com entusiasmo, referindo-se à companhia frequente das filhas e amigas.
A viúva conta que decidiu morar sozinha por opção. Apesar de se relacionar muito bem com as filhas, Fátima e Catarina, já casadas, moram em bairros mais afastados. Para ela, isso seria um empecilho, já que ficaria dependente de condução para levá-la ao centro da cidade, onde costuma fazer compras e pagar suas contas.
Rosa trabalhava como professora, profissão que abandonou ao se casar para se dedicar à casa e à família. Hoje, vive da pensão deixada pelo marido. Para passar o tempo, ela faz trabalhos voluntários, como costurar roupas que são doadas pela Igreja São Francisco a famílias carentes. Também gosta de ler e fazer sua ginástica diária em frente à janela da sala. O apartamento, no sexto andar, lhe garante a sensação de segurança. ''Acho que se morasse em uma casa ficaria com medo'', revela.
Rosa confidencia que não se sente à vontade em participar dos grupos de terceira idade. ''Tem muita gente que gosta de falar de doença. A casa delas é uma verdadeira farmácia. Eu não tomo remédio nenhum e não gosto nem de pensar em doença'', brincou.

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