Brasília e Fortaleza - O ministro da Justiça, Sergio Moro, autorizou nesta sexta-feira (4) que a Força Nacional atue por 30 dias no Ceará para ajudar a conter a onda de violência no local. Nesta quinta (3), ele já havia determinado providências, com a mobilização da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do Departamento Penitenciário Nacional.

A decisão se deu por pedidos feitos pelo governador Camilo Santana (PT). O ministro sugeriu a formação de um gabinete de crise, com a integração de polícias federais e estaduais. A equipe da Força Nacional mobilizada conta com cerca de 300 homens e 30 viaturas, de acordo com informações do ministério.

Fortaleza e cidades da região metropolitana sofreram com a segunda madrugada de ataques contra prédios públicos, agências bancárias e ônibus. Um suspeito de tentar incendiar um radar de trânsito, na cidade de Eusébio, foi morto em confronto com a polícia. Pelo menos 11 ônibus e duas vans que fazem transporte público foram incendiados em Fortaleza e cidades do interior. Um carro com explosivos foi encontrado próximo a um viaduto na avenida Washington Soares, uma das principais ligações para o litoral leste do Ceará.

Ao menos 40 criminosos foram detidos em todo o Estado suspeitas de participação nos ataques a prédios públicos e privados, agências bancárias e ônibus. A polícia investiga se as ações podem estar ligadas às mudanças anunciadas pelo governo estadual para a administração de presídios no segundo mandato de Camilo Santana. Hoje o sistema prisional do Ceará tem unidades divididas entre facções criminosas: as três mais fortes são o PCC (Primeiro Comando da Capital) e GDE (Guardiões do Estado), que são aliados, e o CV (Comando Vermelho).

De acordo com o secretário Nacional de Segurança Pública, Guilherme Theophilo, as ordens dos atos de violência são emitidas de dentro dos presídios e têm ligação com brigas entre facções criminosas.

PARÁ

O Pará também pediu ajuda da Força Nacional para conter a violência. A solicitação, feita pelo governador Helder Barbalho, está em análise. "O Pará está mais violento que o Rio de Janeiro, proporcionalmente. O pedido feito foi por seis meses de Força Nacional no Estado", disse o delegado Éder Mauro (PSD-PA), que foi ao Palácio do Planalto falar com o presidente Jair Bolsonaro. Não há prazo para decisão do ministro da Justiça sobre o pedido de Barbalho.

mockup