Mordida desalinhada provoca dor crônica
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domingo, 05 de julho de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Pequenas manias podem fazer grandes estragos. Mordiscar o canto da boca, mastigar de um lado só, roer unha, morder a língua, 'brincar' com a bochecha usando os dentes, mascar chicletes, morder tampinhas de canetas, e outras - dependendo da frequência, da intensidade, de outros hábitos associados e da estrutura do organismo - são causa de microtraumas que levam a um desequilíbrio chamado de desordem crânio-mandibular (DCM). A longo prazo, as consequências são dores e assimetrias, não só na região da cabeça, mas no corpo todo.
Mas fazer a associação - entre uma dor de cabeça crônica, por exemplo, ou dores no pescoço, com um problema na boca causado por hábitos repetitivos, é relativamente novo, segundo a dentista Gislaine Juliani Giovanetti, de Londrina, especialista no tratamento de DCM. ''O dentista não é o primeiro profissional a ser lembrado. Às vezes, a pessoa passa 10, 15, até 20 anos, sofrendo com dores, fazendo tratamentos e aumentando dosagens de medicamentos sem resultado porque não foi tratada a causa'', alerta.
Por isso é preciso ficar atento para alguns sinais, como a já citada dor de cabeça crônica, e também dores e estalos articulares na face, fraturas dentárias de repetição, hipersensibilidade e perdas dentárias, alterações posturais ou algum outro tipo de dor cujo tratamento não vem dando resultado. Uma investigação pode apontar que a origem do problema está na boca. ''Não quer dizer que toda dor de cabeça tem a ver com a boca, mas é preciso investigar isso também, às vezes até como primeira opção. Viver com dor traz uma série de limitações, no trabalho e na vida pessoal, e inclusive emocionais, pois quem tem dor vive irritado, e passa a viver mal''.
A relação entre uma alteração postural e um desequilíbrio crânio-mandibular pode parecer complexa, mas se torna simples quando lembramos que, afinal, o corpo é um só. Gislaine explica que qualquer um daqueles hábitos, por exemplo morder o canto da boca, com a repetição pode levar a um dano muscular e à mudança na postura da cabeça, o que, por sua vez, pode alterar a coluna e por desdobramento refletir em dores no corpo. ''Dependendo do tempo que a pessoa faz e da sua estrutura, há mais facilidade para desencadear problemas, e normalmente a pessoa não faz uma coisa só, mas várias, que vão se somando. Junte-se a isso tensão e estresse, e o resultado são (maus) hábitos com mais intensidade e frequência''.
Esses hábitos se caracterizam, segundo a dentista, pelo uso da boca ou dos dentes para uma função que não é normal, como roer as unhas - por isso são chamados de parafuncionais. Só que o resultado é um mau funcionamento do que deveria ser normal, e a pessoa passa a sentir, não só dor, mas limitação de abertura da boca ou cansaço ao mastigar.
Nem sempre um desequilíbrio traz dor, e nem sempre é preciso corrigi-lo. Mas, investir nessa correção é fundamental quando o desalinhamento causou problemas que precisam de tratamento ortodôntico ou periodontal. ''Primeiro é preciso colocar a articulação no lugar, para depois fazer o ortodôntico. Se for o contrário, podem acontecer recidivas'', ensina.
Serviço: (43) 3324-7286


