Londrina - O pintor Márcio Gomes da Silva mora no Centro de Londrina, ao lado de uma farmácia localizada na Rua Souza Naves. Ele não paga aluguel, energia, água e enfrenta o frio como pode. ''Eu acho que aqui era um estúdio de fotografia. Desde de 2004 estava abandonado'', relata ele, que vive na rua há 27 anos e nos últimos quatro passou a ocupar um mocó.
''Entrei pela primeira vez aqui com minha esposa. Depois aceitei outros companheiros. Hoje somos em seis'', conta. No momento ele está separado da mulher, que passa por tratamento para se livrar da dependência da bebida. ''Todo mundo que vive aqui não mexe com droga. O nosso negócio é o álcool'', garante Silva.
Há três anos Luciano Faria é balconista na farmácia localizada ao lado da ''casa'' de Silva e dos companheiros dele. ''Eu trabalho até meia-noite. Tem esse pessoal que dorme aqui do lado, mas acho que nunca aconteceu algo mais sério'', declara.
De acordo com Lucinéia Maria Ribeiro, coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) I, existem hoje 20 mocós em Londrina, ''a maioria na Região Central.'' ''Nós não temos o número de pessoas que vivem nesses locais, pois a cada dia entra alguém e sai'', explica. Segundo levantamento do Creas, onze mocós estão localizados em terrenos particulares e nove em espaços públicos, como a Concha Acústica.
De acordo com Lucinéia, as equipes de rua do Creas, compostas por psicólogos e assistentes sociais, visitam os locais diariamente. ''Nos oferecemos para levá-los aos abrigos, mas muitos preferem não ir, pois lá é proibido usar drogas. Mesmo no frio eles recusam. No caso daqueles que são de fora da cidade também auxiliamos na compra de passagens de ônibus para que retornem, mas a resistência também é grande'', lamenta.
A equipe do Creas é composta por 15 pessoas por dia, que atuam em três turnos, das 8 às 22 horas. A diretora de proteção especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Clarice Junges, espera que o número de profissionais aumente para 35 no prazo de um mês. ''Foi feito concurso público e o serviço está sendo municipalizado'', explica.
Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Márcio Amaro, a existência de mocós gera insegurança para a comunidade. ''É um ponto de uso de drogas, sexo. É comum criminosos fugirem para esses locais. Normalmente quem frequenta esses ambientes comete pequenos furtos'', aponta.

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