Moradores voltam a protestar contra superpostes
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de setembro de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Cerca de 100 moradores dos jardins Presidente, Igapó e Itamaraty (zona oeste) se reuniram ontem à tarde no aterro do Lago Igapó 3 para protestar contra a instalação dos superpostes e a construção da subestação da Copel ao lado do lago. Com o apoio do prefeito Alexandre Kireeff (PSD), os manifestantes condenaram a falta de diálogo e a imposição da companhia de energia que, na semana passada, derrubou na justiça um embargo da Secretaria Municipal de Obras e conseguiu a continuidade das obras por meio de antecipação de tutela.
O advogado e morador Aneron Luiz de Oliveira protocolou na sexta-feira (30) petição de embargo à decisão do juiz Marcos José Vieira, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, que proíbe a obstrução das obras e estipula multa diária de R$ 1 mil individual por desobediência. Oliveira afirma que a proibição é direcionada a 11 pessoas nominadas na ação. "Os cidadãos não podem ser intimidados e terem os direitos constitucionais desrespeitados", defendeu.
Um superposte instalado no gramado do aterro do lago foi o ponto de concentração dos manifestantes. Eles afixaram cruzes de madeira, e levaram bonecos de pano com mensagens contra a passagem da rede de alta tensão sobre o espaço de lazer.
O aposentado Oswaldo Marques Teixeira, morador há 12 anos no Jardim Igapó, reivindicou que a Copel negocie com os moradores. "Poderia haver um planejamento para linhas subterrâneas e aéreas somente em último caso. Uma compensação para a revitalização do aterro seria uma boa opção", sugeriu.
Além da questão estética e urbanística, a maior preocupação dos moradores é em relação à segurança e saúde. A funcionária pública federal Lúcia Emi Kondo, moradora do Jardim Presidente, confessa que sente medo da alta tensão a poucos metros da casa dela. "A Copel afirma que os estudos apontam que não há risco para a saúde, mas a preocupação é grande. Ninguém quer conviver com o risco de acidentes, por exemplo."
Kireeff disse que a Copel não pode se pautar por condutas arbitrárias, e revelou que a Procuradoria Jurídica do Município estuda medidas para encontrar uma solução junto à Copel. "O município tem que ser recompensado em casos de obras com intervenção urbana radical como esta", expôs.
A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria da Copel na tarde de ontem, mas o celular estava desligado. Em nota, a Copel garantiu que está respaldada no Decreto de Utilidade Pública número 4699/2012 e pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), além de pareceres técnicos e licenças emitidos pelos órgãos ambientais do Município e do Estado do Paraná.


