Moradores vendem imóveis em conjunto habitacional
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sexta-feira, 15 de março de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem local 
Londrina - A comercialização de imóveis adquiridos por meio de programas de habitação, como o Minha Casa, Minha Vida, é uma prática ilegal, mas constante em bairros populares. A FOLHA apurou que diversas casas e apartamentos são vendidos no Residencial Vista Bela (zona norte de Londrina), mesmo sob o risco do proprietário perder o direito à residência.
Pelas ruas do bairro, moradores, que preferem ter as identidades mantidas em sigilo, falam abertamente sobre os imóveis que estão sendo vendidos. "Tem um vizinho meu que está vendendo a casa dele por R$ 10 mil. Ele não se adaptou aqui e quer mudar", informou um pedreiro que mora há um ano no bairro. "Não acho legal isso não. Tanta gente precisando de casa e daí quem tem uma, quer vender."
Nos blocos de apartamentos, o número de imóveis à venda é maior. "No bloco 10 tem muita gente vendendo lá", garantiu o funcionário de um dos condomínios. "Eu mesmo estou procurando por um. Me ofereceram por R$ 11 mil, mas eu não tinha R$ 6 mil para dar de entrada. Por isso o negócio não saiu. Mas continuo procurando. Pago R$ 500 de aluguel e morar aqui por R$ 200 por mês é bem melhor", frisou.
Perguntado se não há risco neste tipo de comercialização, o porteiro garantiu que ninguém fica sabendo. "Tem as pessoas certas aqui que você tem que procurar. Elas sabem onde estão os imóveis. Negociando com elas ninguém fica sabendo", garantiu.
A reportagem foi até a casa de um carroceiro que está vendendo o imóvel dele. "Por menos de R$ 10 mil eu não vendo. Minha casa está toda murada, com piso no quintal e azulejo. Já me ofereceram R$ 7,5 mil e não aceitei", ressaltou.
O homem mora há pouco mais de um ano no local e quer se mudar em virtude da queda do número de fretes desde que mudou para o Vista Bela. "Não tem problema em vender não. É só combinar com o comprador e deixar o financiamento no meu nome mesmo. Depois que ele quitar aí pode fazer a transferência. Na casa aqui ao lado da minha é a quarta família que está morando e nunca deu nada", explicou. O homem até forneceu o número do telefone para uma negociação futura.
"Sei que tem muita gente vendendo, mas fiquei sabendo que é ilegal e se for descoberto tanto o vendedor como o comprador perdem a casa", relatou outro morador do Vista Bela.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), José Roberto Hoffmann, confirma que tem recebido denúncias de comércio ilegal. No entanto, nenhuma família foi punida com a perda do imóvel.
Hoffmann explicou que o mutuário contemplado pelo Programa de Arrendamento Residencial (PAR) paga uma prestação de arrendamento por 10 anos e somente depois recebe o título da propriedade. "Somente após este prazo é que se pode vender ou alugar. Se for comprovada a irregularidade, a pessoa perde o imóvel", frisou.
A maioria das denúncia, segundo ele, chega com poucos dados, o que dificulta a comprovação da ilegalidade. "Qualquer pessoa que denunciar não será identificada e o sigilo será resguardado. Todas as denúncias que recebemos nós apuramos na tentativa de solucionar a questão", garantiu.
A reportagem tentou um novo contato com Hoffmann da tarde, após a visita ao Vista Bela, mas o presidente não foi localizado. As denúncias podem ser feitas pelo telefone: (43) 3315-2244.


