Cunha- Os moradores da cidade de Cunha, nas encostas da Serra do Mar, no Vale do Paraíba, mantém a tradição de malhação de Judas, mas de uma forma muito peculiar, a começar pelo dia do evento, que, ao contrário das outras cidades, acontece após a missa deste domingo de Páscoa, ao meio-dia, e não no Sábado da Aleluia. O historiador cunhense João Veloso diz que não há explicação para essa mudança do dia, mas é um costume antigo na cidade. ''Com certeza foi uma decisão da Igreja local'', afirma.
Essa tradição desperta a curiosidade dos turistas que visitam a cidade nesta época. Outro fato que chama a atenção dos turistas é que, em vez de ser malhado, o Judas de Cunha é enforcado e explodido, numa sequência de bombas que provocam uma coreografia fúnebre até a explosão final. ''Esse costume vem desde o século XIX'', explica Veloso.
O policial militar Fábio Átila, que durante dez anos auxiliou o artesão Ubirajara Moreira na confecção do boneco, assumiu a tarefa há quatro anos, depois da morte de Moreira. Segundo ele, são usados 12 cartuchos de pólvora para impulsão, o que aciona os movimentos do boneco. ''É uma explosão simples, mas não colocamos nada dentro do Judas para evitar acidentes'', disse. Ele leva 20 dias para confeccionar o boneco em papel machê e afirma que sua intenção é manter a tradição. ''Não quero que acabe.''

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