Marcos Zanatta
De Maringá
Moradores da Zona 7, em Maringá, temem que a demora na decisão da Justiça sobre ação para a retirada da ‘‘pedra’’ do estacionamento do Estádio Willie Davids acabe invalidando a decisão inicial. Em julho de 98, a Justiça deu parecer favorável a uma ação movida por moradores, pedindo a retirada dos corretores ligados à Associação dos Vendedores de Veículos de Maringá (Avemar), que comanda a pedra (local de venda de carros usados).
A entidade recorreu e o tempo, segundo os moradores, está ‘‘esfriando’’ a decisão inicial. ‘‘Não tem mais como esse pessoal ficar aqui’’, reclama a telefonista Jacira Marques, que diz ser ‘‘constrangedor’’ ter que passar pelo local todos os dias para chegar ao trabalho.
O estudante Alexandre Damasceno Filho acha que a pedra não poderia ficar no estacionamento do estádio ‘‘por uma questão de estética do local’’. A pedra ocupa praticamente todo o estacionamento do lado oeste do estádio. A Avemar tem mais de mil corretores associados, além de centenas de ‘‘picaretas’’ que ficam nas ruas em volta.
O presidente da Associação Comunitária da Zona 7, Amauri José Pereira da Silva, diz que a preocupação não é só com a estética. ‘‘As duas avenidas que cruzam a área (Duque de Caxias e Prudente de Moraes) são vias rápidas e o grande número de corretores coloca até a segurança deles em risco’’, observa.
Na semana passada, conta Silva, ocorrem três acidentes nas imediações da pedra. ‘‘Não sei se existe envolvimento com os corretores, mas que o local é inseguro tenho certeza’’, diz. Ele também acha que a demora no julgamento da apelação, feita pela Avemar, representa risco para a ação. ‘‘Nossa esperança é que, com o projeto de transformar a área em uma vila olímpica, a pedra tenha que sair dali’’. A associação da Zona 7, segundo Silva, pretende continuar cobrando a saída dos corretores a pedido da comunidade.
O presidente da Avemar, Francisco Januário, disse que não existe mais pressão para a pedra sair do local. ‘‘Estamos nos entendendo com a nova diretoria da associaçao de moradores do bairro’’, afirmou.
‘‘Nossa entidade reúne pouco mais de mil corretores, que não trabalham com veículos suspeitos e muito menos mexem com as mulheres que passam pela pedra. Se houver reclamação a gente expulsa’’, garante. A Avemar, segundo Januário, também está tentando colocar todos os corretores que atuam no local para dentro do estacionamento, acabando com os problemas do trânsito nas avenidas em volta.
Para o vereador Belino Bravin (PPB), que foi presidente e faz parte da diretoria da Avemar, os corretores concordam em mudar a pedra de lugar. ‘‘Desde que fique no centro da cidade’’, ressalva. Há cerca de cinco anos, a prefeitura tentou levar a pedra para o Contorno Sul, ao lado da Ciretran. ‘‘Não tem como trabalhar longe do centro’’, argumenta Bravin. Ele garante ainda que acabaram os problemas com veículos suspeitos. ‘‘Tanto que a polícia nunca mais fez busca no local’’.

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