São Paulo, 12 (AE) - Aos gritos de "violência não, nós queremos paz", moradores do Jardim Ana Maria, no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, resistiram à desocupação de cerca de 40 casas da Rua Professora Nina Stocco. Munidos apenas de cartazes de protesto, homens, mulheres e crianças fecharam a via e impediram a entrada dos homens da Polícia Militar.
Por volta das 8 horas, quatro oficiais de Justiça já estavam no local para fazer a desocupação dos imóveis, conforme mandado expedido pelo juiz Luís Fernando Nishi, na 10.ª Vara da Fazenda Pública.O Ministério Público considerou o local "área de risco" e entrou com um pedido na Justiça determinando que a administração municipal retirasse os moradores.
Fogo - Quem não tem para onde ir será removido para um dos "acampamentos" da Prefeitura. "Não vou deixar minha casa para morar com meus quatro filhos debaixo de uma lona", afirmou um dos líderes da comunidade, Edson Rodrigues dos Santos.
Para resistir à ação da Polícia Militar, os moradores atearam fogo em pneus, madeira e toda a espécie de material inflamável retirado das casas. Com a impossibilidade de cumprimento do mandado judicial, foi acionada a Tropa de Choque, que chegou ao local às 13h30.
Resistência - Incentivando os outros moradores a resistir à ação da tropa, Santos ficou frente a frente com os policiais. Enquanto os soldados avançavam, as lágrimas escorriam pelos rostos dos moradores, que permaneciam imóveis. "Não queremos violência, mas resistiremos até o último minuto", disse o garçom José Alves de Sousa, de 36 anos. Ele mora no local há 13 anos com a mulher, as duas filhas, o cunhado e dois sobrinhos.
O policial que comandou a operação, capitão Dantom Vieira, também dizia que não queria violência. "Temos de proteger os oficiais de Justiça para que eles cumpram seu dever."Impossibilitado de passar pela barreira humana - repleta de mulheres e crianças -, o batalhão recuou, aplaudido pelos moradores.
Nova data - Será marcada nova data, ainda não definida, para que se cumpra a determinação judicial. "Eles podem voltar, vamos continuar resistindo", garantiu Santos. "Fui a primeira moradora, há 20 anos, e nunca quiseram nos tirar", disse a dona de casa Nailde Maria de Mercês, de 60 anos. "Se o local era de risco, por que não viram antes?"

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