Moradores removidos de áreas de risco em Guarulhos vivem na incerteza de não saber para onde ir
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Cláudio Barreto 
São Paulo, 19 (AE) - Em duas escolas municipais de Guarulhos, na Grande São Paulo, moradores que foram removidos pela prefeitura do município de áreas de risco de deslizamentos provocados pela chuva, vivem com a incerteza de não saber para onde vão, quando tiverem de deixar os abrigos. Segundo nota da Secretaria de Habitação e Bem-Estar Social do município, foram removidas 41 pessoas, ou 0,82% do total da população que mora nas áreas de risco, calculada pela Defesa Civil da cidade em 5 mil pessoas.
O pedreiro Amaro Pereira da Silva, morador da Favela Nova Cumbica, no Jardim Cumbica, é um dos alojados pela prefeitura na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) José Maurício de Oliveira, no Sítio dos Morros, bairro de Guarulhos. Ele foi parar no local após reportagem que mostrou o risco de desabamento do barraco onde morava depois da enchente que assolou a favela no início do ano. "Não dava para ficar lá, pois o barraco estava prestes a cair"
reconhece o pedreiro. No entanto, ele mostra-se muito preocupado com o futuro de sua família. "Tenho quatro filhos pequenos, e até agora, não sei para onde vou quando sair daqui"
ressalta. Remoção - Vivendo com a mulher e os filhos em uma sala de aula, desde o dia 10, Silva reclama da maneira que os funcionários da prefeitura os retiraram da favela. "Foram às 20h30, no meio de uma chuva, quando meus filhos já estavam dormindo", recorda. Segundo ele, o menino Adriano, de 3 anos, ficou doente por causa da friagem que pegou no transporte para o abrigo. "Ele ficou cinco dias no Hospital Menino Jesus com diagnóstico de pneumonia", afirma.
O pedreiro diz que todo seu investimento de três anos foi destruído. "Paguei caro na época pelo barraco", comenta. Ele usou como moeda de troca um forno de microondas, um aparelho de tevê e dois aparelhos de som. "Dava mais de mil reais". A dona de casa Jandira Rosa Bento chegou há apenas dois meses a Guarulhos, depois de conviver com a miséria da roça no interior de Minas Gerais. Ela vive há 18 dias com os três filhos na escola do Sítio dos Morros. Os dois maiores, de 17 e 20 anos, arrumaram um emprego após a chegada no alojamento provisório, com a ajuda da vizinhança.
"Apesar de estar vivendo esse problema, não pretendo voltar para Minas", afirma a dona de casa. De acordo com Jandira, os paulistas são mais generosos. "Aqui as pessoas têm dó da gente e terminaM nos ajudando", comenta. A casa de Jandira foi soterrada por um barranco no Sítio dos Morros e ela perdeu quase tudo o que tinha. "A gente ficou a noite inteira fora de casa, pois já prevíamos a possibilidade do acidente", recorda. Do barraco, Jandira conseguiu retirar apenas um botijão de gás e um fogão. Colchões - No abrigo, a família de Jandira divide uma sala de aula com a de Amaro Silva. Eles dormem em colchões sobre o chão. A alimentação cedida pela prefeitura é composta basicamente por arroz, feijão e macarrão. Para as crianças há leite e mingau. O secretário da Habitação e Promoção Social de Guarulhos, Anízio Pereira, informou que está estudando a transferência dos desabrigados para um galpão pertencente a Secretaria da Saúde. "A médio prazo queremos construir uma vila provisória para alojar os desabrigados das enchentes", disse o secretário.


