Londrina - O governo do Estado anunciou a duplicação da PR-445 como um marco na infraestrutura viária na região de Londrina. No entanto, moradores do Conjunto das Flores (zona sul) reclamam que a obra já deixou outros sinais visíveis nas casas localizadas na marginal da rodovia. Segundo eles, os "efeitos colaterais" da duplicação são rachaduras em diversos pontos das residências, provocadas pela forte trepidação do trânsito direcionado para marginal da rodovia durante a execução das obras na pista.
O caminhoneiro Roberto Aparecido Sposito vive com a esposa Cleonice em uma casa na rua Domingos Biasoni há 20 anos. De acordo com ele, a residência não apresentava rachaduras antes do início das obras na região, apesar da proximidade com a PR-445.
"As fendas começaram a aparecer em vários cômodos. Quando a rachadura aumenta, a gente arruma porque fica com medo da casa cair", comentou o caminhoneiro, ao apontar a massa sem acabamento que foi colocada na parede para esconder a falha.
Vizinho da família Sposito, o aposentado Joaquim Pereira da Silva realizou uma pequena reforma há três meses, mas uma rachadura já apareceu na sala da residência. "Os carros e caminhões passam e treme tudo aqui dentro", reclamou.
Moradora da Rua Maria Carmelita Magalhães, a secretária Katia Petri conta que que também identificou o problema na estrutura da residência nos últimos meses. "Encontrei pequenas rachaduras nos cantos dos cômodos e uma falha que tinha na parede aumentou rapidamente. Eu não entendo nada de engenharia, por isso a gente fica preocupada já que o problema está acontecendo em outras casas do bairro."
Katia lembra que a proximidade com a PR-445 era quase imperceptível, mas a situação se agravou com as obras de duplicação. "O fluxo de carros e veículos pesados é muito intenso, principalmente nos horários de pico. Até de madrugada, a gente sente a casa tremendo por causa dos caminhões na marginal", relatou a moradora, que cogita a possibilidade de entrar na Justiça devido aos danos na residência.
A dona de casa Isabel Cristina de Brito, moradora da Rua Kotaro Hayasaka, sofre com os tremores da janela, que fica ao lado do sofá na sala. "Estou assistindo televisão e fico assustada quando uma carreta passa na pista. Uma rachadura apareceu junto à janela", contou.
O superintendente regional do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), José Ferreira Heidegger, afirmou que as rachaduras nas residências não têm relação com a obra na PR-445. "Estamos na fase de limpeza e ainda não utilizamos nenhuma máquina pesada, que poderia provocar rachaduras. Acho que são problemas antigos destas casas", declarou.
Ao ser questionado se o tráfego na marginal da rodovia poderia causar algum dano nas residências do bairro, ele descartou a possibilidade. "As casas estão lá há muito tempo e agora que aparecem os problemas? O fluxo de veículos é o mesmo que passava pela pista principal anteriormente", argumentou.
Para o advogado Jackson Romeu Ariukudo, é necessário fazer uma perícia para comprovar a relação entre as obras e os danos encontrados nas residências. "O principal ponto é se as rachaduras foram ou não provocadas pela a obra, o que torna fundamental a perícia antes ou durante o processo", ressaltou.

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