Moradores reclamam de obra parada do IML
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domingo, 03 de maio de 2015
Paulo Monteiro<br>Equipe NOSSODIA 
Londrina - A conclusão do novo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina não ocorreu no primeiro trimestre de 2015, como havia previsto o governo do Paraná. Para piorar, a obra está paralisada. Operários não são mais vistos no espaço, como registrou a reportagem do NOSSODIA na última semana.
Os problemas não acabam aí. No espaço há tambores e embalagens vazias, objetos que podem acumular água parada. A nova sede do IML fica na Avenida Dez de Dezembro, no Jardim Europa, próximo ao 4º Distrito Policial. Os moradores afirmam que os cadáveres que passarão a ocupar o local não os assombrarão. Ao contrário da situação atual, que afirmam já trazer muito receio.
"Ficamos com medo. Tem muita aranha e outros bichos em meio aquele espaço. Há também um depósito aqui ao lado em que operários guardam os materiais que utilizam na construção. Deste lugar saem muitos garatos. É assim que chamamos esses animais: ratos do tamanho de um gato adulto", explica a moradora Cláudia dos Santos da Silva.
"Queremos deixar claro que não somos contra a instalação do IML. Pelo contrário, sabemos da grande importância desta construção. Apenas somos contra a atual situação", acrescenta Cláudia.
A obra começou no primeiro semestre de 2014. O investimento inicial do governo era de R$ 4,5 milhões. A conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2015. O espaço tem 5.556 mil m². O novo Instituto terá laboratórios, consultórios, equipamentos de alta tecnologia e salas de raio-X, além de auditório, estacionamento e área de psiquiatria. A expectativa é que serão atendidos 1,5 milhão de paranaenses de 36 municípios da região. Mensalmente são recebidos no atual prédio cerca de 80 cadáveres.
DENGUE
A moradora Cláudia dos Santos da Silva revela ainda o risco de o espaço estar servindo de criadouro para o mosquito da dengue (doença transmitida pelo Aedes aegypti). "É o nosso maior receio. Não posso afirmar se foi realmente por causa da obra, mas meu filho de 22 anos, em um período de um ano ou um ano e meio, já foi infectado duas vezes. Nos dois casos, os exames médicos confirmaram se tratar do vírus da dengue", afirma Cláudia.
A jovem Giovana Gomes Carvalho reforça os comentários da vizinha. "Realmente, depois que começaram a obra aumentou a sujeira e também os insetos. O que temos mais medo é do mosquito da dengue. Aqui até que passa o carro aplicando o fumacê. Deixamos nossas casas bem abertas para o produto entrar, o problema é que, devido ao tamanho do canteiro de obras, eu acho que o fumacê não atinge todo aquele espaço", avalia.
De acordo com a assessoria da Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária, "o ritmo da execução das obras diminuiu em função da queda de arrecadação proporcionada pela crise nacional, o que interferiu no prazo estipulado para as obras do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina". Nota da assessoria confirma ainda que as obras em execução já estão sendo retomadas.


