Moradores reabrem Estrada do Colono à força
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sábado, 04 de outubro de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Serranópolis do Iguaçu - Cerca de 500 moradores de Serranópolis do Iguaçu e Medianeira (oeste do Paraná) reabriram à força a Estrada do Colono, fechada há dois anos por determinação do Tribunal Regional Federal, da 4 Região (Porto Alegere). Por volta das 22h30 de sexta-feira, o grupo espantou dois vigias que guardavam a entrada do Parque Nacional do Iguaçu e destruiu a garagem da guarita para facilitar a passagem de uma retroescavadeira. Durante a madrugada de ontem, a máquina cobriu as valetas e arrasou as mudas de árvores em três quilômetros de extensão.
A chegada de 24 policiais federais vindos de Foz do Iguaçu aumentou a tensão no local, que é considerado área de preservação ambiental e foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Um caminhão e um cordão humano foram postos em frente à guarita para impedir a aproximação dos agentes. O deputado federal Irineu Colombo (PT/PR) e os prefeitos de Medianeira, Luiz Suzuke (PT), e de Serranópolis, Nilvo Berlin (PT), intermediaram o diálogo entre as partes e convenceram os policiais a sair. ''Não fazemos parte do movimento, mas apoiamos a iniciativa. Somente com pressão popular o governo reabrirá o Parque e o TRF desengavetará o processo'', afirmou Colombo.
Assim que amanheceu, os manifestantes iniciaram a montagem de um acampamento e prometem sair de lá apenas quando a estrada estiver livre. A expectativa era de que a restroescavadeira voltasse, ontem à tarde, para terminar o trabalho. ''Enquanto isso, 300 moradores de Capanema usam lanchas para atravessar o rio Iguaçu e iniciam a limpeza do outro lado'', garantiu Luiz Gustavo dos Santos, 19 anos, membro do grupo que diz ter uma balsa pronta para fazer a travessia dos carros.
A Estrada do Colono é uma antiga via de acesso de 17,6 quilômetros que liga Serranópolis do Iguaçu (oeste) e Capanema (sudoeste). Segundo os moradores vizinhos ao Parque, o fechamento da estrada aumenta para 120 quilômetros a distância entre as duas regiões e prejudica o desenvolvimento econômico dos municípios. Os manifestantes que desobedeceram a ordem do TRF estão sujeitos a processo por destruição do patrimônio público e crime ambiental.
Segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cerca de 500 carros atravessavam o Parque diariamente até o fechamento da estrada, comprometendo a preservação da flora e fauna. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que respeita a decisão da Justiça e só manifestará opinião após o julgamento do processo.
Segundo informou a Rede de ONGs da Mata Atlântica, a ministra negou ontem apoio à ação dos invasores e teria anunciado que pretende interpelar judicialmente o deputado Irineu Colombo.


