Marcos Zanatta
De Maringá
Moradores do Conjunto Residencial Cidade Canção, em Maringá, desistiram de pedir apoio para a reativação da associação do bairro e começaram por conta própria a implantar a maior reivindicação do local, um campo de futebol. ‘‘Nós não temos posto de saúde, escola e creche, mas queremos mesmo é um gramado para treinar os times do bairro’’, afirma o comerciante Esupério Salim da Silva. Ele garante que até o final do ano o gramado estará formado. ‘‘Com dinheiro arrecadado entre os moradores’’, garante.
O conjunto tem 147 casas e pouco mais de 500 moradores. O maior receio da comunidade é perder o terreno reservado para o lazer. ‘‘Uma quadra inteira é da associação, que está desativada’’, lamenta Silva. Ele e mais alguns moradores tentaram retomar a entidade, mas não conseguiram.
Os maiores problemas, segundo Silva, são a falta de tempo e uma dívida de R$ 2 mil deixada pela diretoria anterior. ‘‘Que ninguém quer perdoar’’, frisa. Os moradores procuraram a prefeitura, vereadores e até deputados, mas não conseguiram nada.
Quando são chamados para reunião, conta Silva, o assunto é tratado junto com os problemas dos outros bairros e ‘‘sempre não dá em nada’’. ‘‘Cansamos de correr atrás de associação e decidimos agir por conta própria’’.
O primeiro passo foi unir os moradores em uma ‘‘vaquinha’’, que rendeu R$ 250,00. O dinheiro foi usado para preparar a terra e iniciar o plantio da grama. A seca de dois meses acabou com o ‘‘sonho’’ do campo. ‘‘Mas vamos começar tudo de novo’’, promete Silva.
O campo precisa agora de ser arado. Um trator da prefeitura que está trabalhando no bairro deve executar o serviço em alguns dias. Depois Silva pretende fazer mais um apelo aos moradores e juntar R$ 65,00 para comprar a semente da grama. ‘‘Aí fica faltando apenas a areia para garantir a germinação’’.
O bairro têm times, o de menores, o adulto e um de veteranos. ‘‘Ganhamos um monte de campeonato, temos até patrocínio, mas somos obrigados a treinar em campos emprestados’’, lamenta Silva. Ele lembra ainda que um campo no local vai impedir que alguém chegue e tome posse do terreno que é da comunidade. ‘‘Já tem gente que veio aqui no bairro falando que comprou a área da prefeitura’’, alarma.Comunidade mantém três times e está se mobilizando para utilizar uma quadra inteira que ficou reservada para o lazer
James NegriniSONHO ANTIGOO comerciante Esupério da Silva mostra o local onde prentende construir o campo de futebol; depois de arado, o terreno receberá a grama, que deverá estar formada até o final do ano

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