Londrina - Um grupo de moradores do Jardim Nova Esperança (zona sul) protestou ontem na prefeitura. Eles querem a construção de uma escola, de um centro de educação infantil, além de melhorias na iluminação e na limpeza. Outro problema enfrentado é a falta do transporte escolar das crianças em virtude da suspensão do serviço pela empresa Kalunga.
O objetivo era se reunir com o prefeito Gérson Araújo, mas os moradores foram recebidos pelos secretários de Obras, Saúde, Educação, Procurador do município e um representante da Cohab. Depois de deixarem o gabinete do prefeito, os moradores foram até a Câmara Municipal.
O Nova Esperança surgiu há 15 anos no limite sul da área urbana de Londrina e hoje tem cerca de 1,3 mil moradores. Para usufruir dos equipamentos públicos, as pessoas precisam recorrer aos bairros circunvizinhos União da Vitória, São Lourenço e Ouro Branco.
''O nosso bairro está abandonado. Estamos esquecidos lá. O mato tomou conta das ruas, que estão todas esburacadas. Aparecem bichos de todos os tipos, baratas, besouros, pernilongos e até cobras'', indignou-se o segurança Diego Aparecido Francisco, 26 anos, morador do bairro há um ano. ''A iluminação também é muito ruim e fica perigoso sair de casa à noite.''
No Nova Esperança não existem escolas e nem creches. As crianças estudam em colégios que ficam a vários quilômetros de casa. A diarista Maria Aparecida Barbosa, 34 anos, relatou que após a suspensão do transporte escolar, os filhos, de oito e dez anos, caminham todos os dias dez quilômetros para frequentarem as aulas no Caic da zona sul. ''Eles estão indo sozinhos com as outras crianças e eu vou buscar na hora do almoço. Eles reclamam muito do cansaço, da bolsa pesada e do sol quente. Realmente é muito longe para eles'', ressaltou.
Para as crianças que ainda não têm idade para o ensino fundamental, a dificuldade também é grande. Os Centros de Educação Infantil (CEIs) mais próximos ficam no Caic e no União da Vitória. Nos dois locais não há mais vagas.
O presidente da Associação de Moradores, José Guilherme Alves, saiu decepcionado do encontro com os representantes do município. A prefeitura alegou que não há previsão de resolução dos problemas e as reivindicações ficarão a cargo da nova administração.
''A gente fica revoltado, mas vamos continuar protestando e brigando pelos nossos direitos. Sairia muito mais barato para a prefeitura construir uma escola no bairro do que pagar pelo transporte das crianças'', afirmou Alves.
A Associação de Moradores vai formar uma comissão para, junto com a Secretaria de Educação, buscar um terreno no bairro para a construção de uma escola no futuro.

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