São Paulo, 04 (AE) - Quando Maria José da Silva, de 43 anos, viu um S vermelho marcado na parede de sua casa, não teve dúvidas. "Eles querem tirar a gente daqui de qualquer jeito; mas ninguém tem para onde ir", lamentou a moradora da Rua Francisco de Holanda, no Jardim Maria Virgínia, no Campo Limpo, sentindo-se intimidada.
A letra, inicial da palavra sair, foi gravada nas casas da região por funcionários da Administração Regional do Campo Limpo que precisam desocupar a área, onde vivem cerca de 3 mil pessoas. Eles atendem ordem da 6.ª Vara da Fazenda Pública.
De acordo com a determinação da Justiça, que responde a uma ação movida pelo Ministério Público contra a Prefeitura, a área é de utilidade pública e estava sendo usada irregularmente. Caso a desocupação não seja feita até o dia 16, o Município terá de pagar multa diária de R$ 10 mil por desobediência. Passeata - Sem entender o motivo da retirada, os moradores do Jardim Maria Virgínia revoltaram-se e promoveram um protesto por volta das 9 horas de hoje. Cerca de 200 deles reuniram-se e caminharam até a sede da AR para pedir explicações. Não foram atendidos. "Nas visitas, os fiscais dizem que a rua está condenada por causa das enchentes", disse Maria José. "Mas como pode ser?", perguntou a moradora que vive há 24 anos na mesma casa, a de número 327 da Rua Francisco de Holanda. Ela jamais notou uma gota a mais de água em épocas de chuva. "As casas nem sequer têm rachaduras".
Hoje, a entrega de intimações aos moradores por funcionários da regional teve acompanhamento da Guarda Civil Metropolitana. Muitos dos residentes recusaram-se a assinar os autos de despejo. Amanhã (05), os moradores prometem reunir-se novamente para questionar a decisão. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a Regional do Campo Limpo.

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