Moradores protestam após morte de criança
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Danilo Marconi<br>Reportagem Local 
Londrina Moradores fecharam ontem a tarde trecho da Avenida Guilherme de Almeida, no Jardim União da Vitória, zona sul de Londrina, em protesto pelo atropelamento e morte de uma criança de quatro anos. O acidente ocorreu a poucos metros do posto da Unidade Paraná Seguro (UPS). Os manifestantes cobraram instalação de redutores de velocidade e orientação de agentes de trânsito.
O menino foi atropelado ontem de manhã na Rua dos Cozinheiros, em frente à Escola Municipal Zumbi dos Palmares, popularmente chamada de Caic da Zona Sul. Ele andava na calçada na companhia da mãe e da avó, quando, segundo testemunhas, soltou das mãos delas e tentou travessar a rua. A condutora foi encaminhada à Delegacia, onde prestou depoimento e foi liberada.
A morte mexeu com os moradores. "Estava passando na hora. Ver a criança embaixo do carro e a mãe desesperada foi difícil, uma imagem que não sai da cabeça", descreveu o motorista Carlos Alberto Ferrari.
Moradores usaram pneus e galhos para fechar a avenida. Com faixas eles alertavam o poder público sobre os perigos no trânsito local. A maior preocupação estava na entrada e saída de alunos do Caic, onde estão matriculados 950 estudantes do Ensino Fundamental (um centro de educação infantil anexo ao prédio atende 156 crianças de zero a cinco anos).
"Não tem calçada, as faixas estão apagadas e os motoristas correm muito por aqui. Seja de manhã ou a tarde nunca tem agente de trânsito orientando as crianças. Nossos filhos que estão correndo risco tremendo", observou a autônoma Samandra Moraes. "Se não tem agente, por que os policias da UPS não ajudam no trânsito e orientam as crianças?", complementou Ferrari.
A Guilherme de Almeida tem redutores de velocidade na frente do Caic. As sinalizações vertical e horizontal também existem, mas algumas foram apagadas com o tempo. Na Rua dos Cozinheiros inexiste sinalização.
"Outro dia, minha sobrinha foi atravessar e um motoqueiro não respeitou a sinalização. O guidão passou poucos centímetros do rosto dela. A menina ficou branca, assustada, e o motoqueiro nem parou para ajudar", contou a auxiliar de cozinha, Priscila Marques.
"É muito perigoso, os carros não respeitam as sinalizações, ninguém para e dá preferência para as crianças. Esse lugar é perigoso e nossos filhos estão em risco", alertou a dona de casa Cleusa Aparecida Nascimento.
A direção do Caic da Zona Sul encaminhou ofício ano passado para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) cobrando melhorias na sinalização. A CMTU aguarda um parecer do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) para instalação de lombadas ou faixas elevadas na Rua dos Cozinheiros. O presidente Sandro Nóbrega, que assumiu o cargo recentemente, não recordava o conteúdo do estudo. Uma posição pode ser apresentada hoje.
A CMTU conta com menos de 50 agentes de trânsito e não confirmou se pode destinar profissionais para ajudar na orientação dos alunos. "A Polícia Militar sempre quando constatar uma deficiência vai procurar melhorá-la. Vamos analisar qual seria nossa atribuição nesse caso e auxiliar no que for possível, seja com orientação, apoio logístico ou de pessoal. A PM não vai se negar nunca", afirmou o subcomandante do 5º Batalhão, capitão Jefferson Souza.
O corpo da criança atropelada será sepultado hoje no Cemitério Distrital de Irerê, zona sul de Londrina.


