Moradores planejam deixar o Palace 1
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Agência Folha 
Moradores do edifício Palace 1 - no mesmo condomínio do Palace 2, que começou a desabar no domingo de Carnaval e foi implodido no sábado - e de edifícios próximos querem se mudar de seus apartamentos com medo de novos desabamentos.
Quem pode já está saindo de casa. Vários caminhões de mudança pararam ontem diante dos condomínios enfileirados na rua Jornalista Henrique Cordeiro, na Barra da Tijuca, zona sul do Rio. O comerciante Onel de Matos, morador do edifício Estrela do Mar, disse que decidiu se mudar porque tem medo de que os desabamentos e a implosão tenham atingido a estrutura de seu prédio. Minha mulher não quer nem ouvir falar em voltar para cá. Ela ficou apavorada. Nós temos um bebê de um ano e não queremos passar pelo que essas pessoas estão passando, disse.
Ele pagava R$ 600 pelo aluguel do apartamento. Tem uma casa no bairro vizinho do Recreio dos Bandeirantes e já pediu que o inquilino desocupe o imóvel. Proprietária de um apartamento no Estrela do Mar, Laura Arduini, 72, está hospedada na casa de um filho. Quem me garante que o meu prédio não vai cair também?, pergunta.
Os moradores do Palace 1, que permanecia interditado até o início da noite de ontem, também não querem voltar quando o prédio for liberado. Eles dizem que o prédio, também da Sersan, pode ter os mesmos defeitos do Palace 2. É o caso do consultor de empresas Airton Ferreira, que está pagando hospedagem para ele, a mulher e os dois filhos num hotel. O medo, o risco, a lembrança do tremor nos impedem de voltar. Nós ouvimos tudo, conhecíamos as pessoas que morreram, diz, sem saber se conseguirá vender o apartamento.
Na madrugada e na tarde de ontem, dois estrondos vindos dos escombros do Palace 2 assustaram ainda mais quem está com medo de voltar para casa. Segundo o coordenador da Defesa Civil municipal, coronel Nilton Barros, a estrutura do Palace 1 não foi afetada. Técnicos monitoram de hora em hora qualquer oscilação no edifício. O Palace 1 ainda está interditado, e os moradores não podem retirar roupas e objetos pessoais. A Prefeitura do Rio conseguiu 50 apartamentos num hotel da Barra para hospedar temporariamente os desalojados.
São poucos os que estão dispostos a voltar aos apartamentos do Palace 1. A professora Cláudia Pascoal, 30, explica sua decisão: Querer voltar eu não quero. Mas não tenho opção. É ficar aqui ou voltar para Caxias (Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense), e isso eu não quero.


