Com frutas, água e terra supostamente contaminadas por agrotóxicos produzidos pela Shell Brasil S.A. em Paulínia, a 120 quilômetros de São Paulo, cinquenta pessoas fizeram um protesto ontem no saguão do prédio onde funciona a presidência da empresa, na Praia de Botafogo, zona sul do Rio. Moradores da região afetada, ex-funcionários da empresa e ativistas do Greenpeace apresentaram à Shell uma série de reivindicações, entre elas o pagamento de indenizações e atendimento médico integral e vitalício a todos os atingidos.
Os manifestantes afirmam que a contaminação por Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) começou em 1978. ‘‘A Shell conhecia o problema desde 1993 e não fez nada’’, afirma Karen Suassuna, coordenadora da campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace. A contaminação se deu através de vazamentos e da incineração de resíduos industriais, atingindo 52 chácaras do entorno da fábrica e pelo menos 140 pessoas, segundo os organizadores do protesto. A fábrica de defensivos foi vendida.
O vice-presidente da Shell, Gilbert Landsberg, foi até o saguão do prédio e disse que a empresa assumirá sua responsabilidade no caso. Ele garantiu que as concentrações de agrotóxicos encontradas não apresentam riscos para a vida dos moradores de Paulínia. ‘‘Os exames que estão sendo feitos vão mostrar isso’’, disse.
Paulo Souza, de 43 anos, presidente da associação de moradores, acusou a Shell de omitir laudos. Um teste feito a pedido da empresa, em 1996, na Universidade de Lancaster, nos EUA, teria indicado a contaminação. O resultado só foi tornado público em março de 2000. ‘‘Chegou ao cúmulo de Lancaster, em 2001, dizer que errou o laudo. Minha família bebeu Aldrin.’’
Altamente tóxicos, os POPs estão associados ao câncer e problemas nos sistemas reprodutor, endócrino e imunológico. ‘‘Tenho certeza de que estou podre de contaminação’’, disse Marta Valderez de Lima, de 44 anos. Enfermeira, ela foi aposentada por invalidez depois de ter câncer ósseo e passar por três cirurgias. (A.E.)

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