Moradores ouviram estrondo
Haldson César Barbosa Júnior, de 53 anos, dono de dois apartamentos no Areia Branca - o 801, onde morava, e o 802, alugado - contou que no final da manhã da terça-feira ouviu-se um estrondo que ele definiu como ''um abalo''.
Na mesma noite, o síndico Celso Melo Júnior convocou uma reunião emergencial porque as portas dos apartamentos estavam desalinhadas, não fechavam direito. Foi chamado o engenheiro calculista do prédio, Talfigi Asfura, de quase 80 anos, que trabalha na empresa Engest com seu filho e sócio Gamal Asfuri, que indicaram a empresa Jatobeton para fazer um estudo no prédio.
''Pouco depois do jogo do Brasil contra a Colômbia, da quarta para a quinta-feira, ouviu-se um forte estrondo e se observou que a coluna da frente do prédio estava ''repuxada'', afirmou Barbosa. ''Vamos evacuar porque não é brincadeira'', foi a sua reação e a do grupo liderado pelo síndico.
Um dos sócios da Jatobeton, Márcio Aguiar, informou que a empresa foi chamada anteontem e observou fissuras nos pilares e vazamento na cisterna de baixo do prédio. Ele recomendou que as caixas d'água fossem esvaziadas e os moradores deixassem o prédio. À tarde, a empresa iria colocar estacas nos pilares, para sustentação. Segundo ele, o contrato com o condomínio nem chegou a ser assinado.
O coordenador da Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe), coronel Marco Antonio da Silveira Alves, eximiu a Defesa Civil de responsabilidade porque, segundo ele, ao chegar no prédio, não havia mais moradores ocupando o edifício e o síndico informou já ter tomado todas as providências.
''Me foi dito que os especialistas haviam descartado risco de desabamento e nossos engenheiros não perceberam nenhum indicativo visual de que o prédio teria sua estrutura comprometida'', afirmou o coronel.
Desde 1990 oito prédios tipo caixão desabaram em Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Recife. O último deles foi o Ijuí, em 2001, em Piedade, em Jaboatão. Motivos diversos provocaram as quedas - sem vítimas -, mas todos apresentaram insuficiência das paredes, que tinham função estrutural, de acordo com o consultor do Crea Romilde de Almeida de Oliveira. Ou seja, as paredes sustentavam a estrutura.
Em 1975, o edifício Gisele, em Jaboatão dos Guararapes, com estrutura de concreto armado, também ruiu, mas não foi construído sobre pilotis. Nenhum destes desabamentos pode ter causa relacionada ao desabamento do Areia Branca, de acordo com o especialista.





