Moradores organizam caminhada pelo fim da violência
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 30 (AE) - Moradores de vários bairros periféricos da zona sul de São Paulo participam amanhã (01) de uma caminhada em Cidade Dutra pelo fim da violência. "A raiz do problema está na periferia", afirma Luiz Carlos dos Santos, coordenador do movimento. "Sem investimentos em lazer e cultura nessas áreas não haverá paz nem desarmamento".
Santos, que é educador e teve dois irmãos assassinados recentemente, espera a presença de cerca de 1,5 mil pessoas. Às 10 horas, o grupo estará simbolicamente concentrado na Favela 20
na Rua Doutor Paulo de Barros Whitaker. Depois de percorrer várias ruas, irá para o campo de várzea do Santos Futebol Clube, entre as Ruas Jacinto Júlio e Celso Lara Barbéris.
Próximo dali está o objetivo da passeata: a ocupação de um prédio da Secretaria de Estado da Saúde, que estaria abandonado há dez anos, servindo de ponto para prostituição e de uso e tráfego de drogas. "Estaremos reivindicando essa área para transformá-la em um centro cultural", conta Santos, ressaltando que o governo não precisará preocupar-se com nenhum tipo de verba. "Vamos buscar os recursos com entidades não-governamentais".
O educador acredita que moradores de regiões mais privilegiadas da cidade, como Moema e Jardins, precisam entender que ter um policial em cada esquina não resolveria a questão. Além de ser uma meta impossível de ser atingida, a violência migra para outros pontos próximos logo que o policiamento é reforçado. "O jovem da periferia está muito mais próximo da violência do que do lazer e da cultura".


