Moradores ocupam terreno de vereador
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Sem conseguir garantir a duplicação de um trecho da avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul de Londrina), moradores da região decidiram ocupar ontem o terreno de 25 mil metros quadrados, que está no centro da discussão, e pertence ao vereador João Abussafi (PPS). Ontem, o vereador mostrou um documento apontando que a responsabilidade pela obra é do Município. Mas a iniciativa não impediu a ação de cerca de 200 famílias que, empunhando foices, enxadas e martelos, foram bem cedo para a área, retiraram o mato e começaram a erguer os primeiros barracos no assentamento, batizado como São Francisco de Sales. O grupo afirma que, além de obter a duplicação da rodovia, vai conseguir um local próprio para morar.
A ocupação foi decidida na noite de anteontem, depois que as lideranças dos moradores retornaram de uma reunião na Câmara entre Abussafi e o secretário de Governo, major Adalberto Pereira. Os moradores queriam que algumas das partes assumissem o compromisso de duplicar 500 metros da avenida para acabar com os constantes acidentes e mortes no trecho. No entanto, tanto a Prefeitura quanto o proprietário do terreno não chegaram a um consenso sobre o tema e pediram um prazo de 15 dias para apontarem uma alternativa.
Frustrados, os moradores preferiram ocupar o terreno com a esperança de que a área seja desapropriada e os lotes repassados às famílias. ''As pessoas que não tinham casa vieram e ocuparam. Depois, a Prefeitura compra e as famílias pagam'', destacou o líder comunitário, Robson Pereira dos Santos. Outra liderança, Renata de Jesus, já havia cadastrado até o meio da tarde quase 200 famílias. Segundo ela, todas não teriam casa própria e estariam morando ''de favor'' com parentes ou pagando aluguel. ''Isso aqui é para o futuro dos meus filhos'', argumentou. Pensamento semelhante ao do catador de papel José Dias, 71 anos, que mora em um barraco emprestado no Jardim Campos Elíseos. ''Com fé em Deus, vou viver o resto da minha vida aqui'', avisou.
Surpreendido pela invasão, Abussafi apresentou durante a sessão da Câmara uma escritura pública de setembro de 2001, na qual ele doava 10,6 mil metros quadrados ao Município, que se comprometeu em realizar toda a infra-estrutura necessária e exigida pelo Poder Público. Segundo o vereador, isso incluiria a duplicação da avenida. O documento tem anuência do prefeito Nedson Micheleti. Por conta disso, Abussafi não assinou mas propôs um pedido de informação ao chefe do Executivo questionando porque nada foi feito no imóvel. Ele também adiantou que nos próximos dias deve ingressar com pedido judicial de reintegração de posse.
A FOLHA tentou contatar o secretário de Governo por telefone mas as chamadas não foram completadas. A assessoria da Prefeitura foi contatada e também não conseguiu localizá-lo.


