Moradores 'invadem' batalhão e cobram comando
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terça-feira, 03 de abril de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Londrina O assassinato da auxiliar de enfermagem Sueli Aparecida de Souza, 38 anos, vítima de uma bala perdida enquanto jantava com o marido e os filhos numa pizzaria da Zona Sul de Londrina motivou na tarde de ontem uma carreata de moradores e comerciantes da região até a sede do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM). Lá, os manifestantes exigiram a presença do comandante, coronel Joacyr José da Silva, para que ele pessoalmente garantisse reforço no policiamento.
A dor da perda da colega de bairro de forma tão estúpida motivou a manifestação que começou na rua Madre Enriqueta Dominici, na mesma pizzaria onde a auxiliar morreu depois de ser atingida por uma bala perdida disparada por assaltantes que roubaram pela terceira vez a videolocadora que fica em frente. Parentes e amigos contaram que ela espalhava alegria, que tinha planos e que pretendia passar momentos agradáveis com a família em um ambiente familiar e, em tese, um local seguro.
Familiares de Sueli mostraram ter consciência de que crime desse tipo não vai ser o último, enquanto políticas mais eficientes de segurança não forem tomadas pelo Estado e pela sociedade. ''Passamos a fazer parte de uma estatística e sei que minha irmã não vai ser última. Mas qual o perigo que deveria haver de uma família sair para comer uma pizza num lugar decente?'', questionou Édina Maria de Souza, irmã da vítima.
No mesmo tom, comerciantes se mostraram revoltados com ''o abandono'' da Polícia. ''A gente fica mais fora da loja, vigiando a rua, do que trabalhando'', lamentou a proprietária de uma farmácia que ''perdeu a conta'' de quantos assaltos já sofreu.
Familiares, amigos de Sueli e comerciantes foram até a sede do 5º BPM e chegaram a discutir com o relações públicas da corporação, tenente Ricardo Eguédis, quando souberam que o comandante não estava. ''Esta cidade não tem comando? Cadê o comandante'', gritaram os manifestantes.
Vereadores que tentaram intervir foram vaiados e também tiveram de enfrentar as críticas da comunidade. A reclamação foi que a atuação do Legislativo sobre segurança raramente tem efeito prático.
Só depois de quase uma hora em frente ao Batalhão é que os portões foram abertos e todos recebidos pelo coronel. ''O que o senhor tem a oferecer hoje para a gente comandante? Precisamos de uma solução para ontem'', cobrou um morador. Outro lembrou que o Conjunto Cafezal não era atendido por nenhuma viatura. Silva garantiu que o policiamento na Zona Sul seria aumentado, inclusive com policiais do Pelotão de Choque e reconheceu que o Cafezal estava sem policiamento. ''Estávamos com problema no bairro - uma viatura se acidentou - mas já colocamos uma nova equipe esta semana'', apontou.
Um motociclista reclamou que teve a moto roubada ontem à tarde e a PM demorou mais de meia hora para atendê-lo. O comandante disse que mudanças estão sendo feitas com o objetivo de agilizar esse atendimento. Silva ressaltou ainda que 170 novos policiais estão em treinamento e nas próximas semanas devem reforçar o policiamento nas ruas.


