Moradores ficam reféns da violência
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Mauro Carvalho 
São Paulo, 18 (AE) - Festas e passeios à noite ou beber uma cervejinha com amigos no bar da esquina, há muito deixou de ser um programa sem riscos principalmente para moradores dos bairros do Capão Redondo e Jardim ¶ngela, na zona sul da cidade. "Só saio de casa depois das 18 horas numa emergência", diz o metalúrgicos Norberto Monte da Silva, que aparenta pelo menos dez anos a menos que seus 61.
Morador no Jardim Clarice, no Capão Redondo, ele diz: "A violência não existe só nesta região; ela tomou conta da cidade". "Estão matando por besteira", acrescenta o marceneiro Valdir Sena de Araújo, de 48 anos. "Na quarta-feira um cara matou o vizinho só porque ele colocou o lixo na sua calçada", contou. O crime ocorreu numa rua atrás da Igreja são José Operário, no Capão Redondo.
O eletricitário Petronilo José da Silva, 54, há muito deixou de frequentar o botecos do Jardim ¶ngela. "O álcool transforma as pessoas e amigos acabam se matando por motivos bobos", afirmou. Todas as noites ele vai levar e buscar a filha Patrícia Cristina, de 14 anos, na escola. "A distância é de apenas um quilômetro meio, mas não fico sossegado se ela for sozinha ou com amigas".
A estudante Márcia Santos, de 19 anos, para brincar o carnaval foi passar uns dias na casa de uma amiga em Pinheiros. Mesmo assim não ficou tranquila. "Dá muito medo de frequentar salões e barzinhos, pois sempre tem alguém querendo arrumar confusão".
O que fazer com os filhos adolescentes que necessitam se divertir? "Entregamos a Deus e rezamos para que nada de mal aconteça", diz o pedreiro desempregado, Osvaldo Silva Morais, de 56 anos.


