Moradores do Palace pressionam STF
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de abril de 1999
Agência Estado 
Os moradores do edifício Palace 2, que caiu na madrugada do domingo de Carnaval de 1998 provocando a morte de oito pessoas, vão a Brasília amanhã para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a aceitar a denúncia criminal feita pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, contra o proprietário da construtora do prédio, o ex-deputado Sérgio Naya, e o engenheiro calculista da obra, José Roberto Chendes.
Essa denúncia é apenas um começo, e ainda há um longo caminho a percorrer até que eles sejam condenados, disse a presidente da Associação de Vítimas do Palace II, Rauliette Guedes. A denúncia foi comemorada como uma grata surpresa e eles tentarão uma audiência com o ministro-relator da denúncia, Márco Aurélio Mello, onde pedirão agilidade no processo. Os moradores estão programando uma manifestação para a próxima quarta-feira, mas na segunda o advogado contratado por eles, Nélio Soares, se habilitará no STF como assistente da acusação.
Desta forma, estarei legalmente habilitado a produzir provas, como os laudos periciais, feitos por engenheiros da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, que diferem do laudo oficial do Insituto Carlos Éboli, disse Nélio Soares.
Segundo o advogado, a forma como Brindeiro apresentou a denúncia, excluindo da denúncia o outro engenheiro responsável pela obra, Sérgio Murilo Domingues, e arrolando-o como testemunha, vai facilitar o processo. Tenho informações de que Naya tentou suborná-lo para que ele assumisse toda a culpa, informou Soares. Da forma como foi colocado, Sérgio Murilo não poderá assumir a culpa, mas nada impede que ele seja denunciado mais adiante ou que os ministros do STF o incluam na denúncia.
A decisão do STF não tem prazo, mas Soares espera que saia no máximo em um mês, devido ao momento político, em que o Senado dá início a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Judiciário. A denúncia vem num momento oportuno para o Judiciário mostrar eficiência à sociedade, disse o advogado.
No entanto, até que o relator apresente a denúncia aos ministros do STF e eles a aceitem, Naya não está impedido de sair do Brasil. De acordo com a denúncia de Brindeiro, por crime de desabamento de forma dolosa, seguido de morte, Naya e Chendes podem ter condenação de um a oito anos de prisão.


