Moradores do Morro da Coroa protestam contra morte de jovem baleado por PMs
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sexta-feira, 14 de maio de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo e Andreia Maia 
Rio, 15 (AE) - Os moradores do Morro da Coroa, em Santa Teresa, fecharam hoje à tarde, por duas horas, as pistas do Túnel Santa Bárbara, que liga a zonas sul ao centro, em protesto contra a morte do estudante Rodrigo Marques da Silva, de 15 anos
baleado ontem (14) durante operação da Polícia Militar. Revoltados, eles promoveram um quebra-quebra, com paus e pedras, incendiaram um carro e até um ônibus.
Motoristas presos no túnel entraram em pânico e abandonaram seus automóveis, com medo de assaltos e depredações. Ninguém ficou ferido, mas muitas pessoas passaram mal, com a fumaça provocada pelo ônibus, da linha 426 (Catumbi-Usina), em chamas. Cerca de 35 homens do 1ª Batalhão da PM (Estácio), 5ª BPM (Harmonia) e do Batalhão de Choque foram chamados para controlar a situação, que só se normalizou por volta das 17h30. Foi o segundo protesto do tipo em menos de 24 horas. Ontem (14), moradores do Morro da Mangueira também fecharam a rua em frente à favela em protesto contra a morte do menino Alex Sandro dos Santos, de 14 anos, que teria sido assassinado por policiais.
A manifestação no Morro da Coroa começou cedo. Por volta de 14 horas, um grupo de moradores - a maioria mulheres e crianças protestava contra a ação da PM em frente ao Cemitério do Catumbi, próximo à favela, onde Silva estava sendo velado. Logo após o enterro, às 15h40, o grupo seguiu para o túnel e, com paus e pedras, fecharam as pistas no sentido centro-zona sul. "Queremos justiça na morte de Rodrigo", disse Felipe Antunes, de 22 anos, amigo da família do estudante. A situação foi controlada com a chegada do subsecretário de Segurança, Luiz Eduardo Soares, que estava no Morro da Coroa, visitando os pais do estudante e colhendo depoimento sobre a morte de Silva. Logo depois da saída do subsecretário, porém, os protestos recomeçaram com mais violência. O momento de maior tensão foi quando alguns moradores, exaltados, resolveram incendiar o ônibus e uma Kombi carregada de verduras.
A PM foi chamada, mas ficou apenas observando de longe o quebra-quebra. Os policiais só intervieram após conversarem com representantes da associação de moradores da Coroa. "Se tivéssemos agido com mais vigor, poderíamos gerar um resultado ainda mais desagradável", explicou o comandante do 1ª BPM, coronel Romer Silveira e Silva. Às 16h30, a pista, sentido centro-zona sul, foi liberada. A via oposta, onde estava o ônibus incendiado, permaneceu fechada por mais uma hora.
Rodrigues Marques da Silva, segundo a versão de moradores e da família do rapaz, foi atingido no ouvido por um grupo de policiais do 1º BPM, quando treinava futebol com colegas. O estudante participaria amanhã (16) de um torneio da escolinha de futebol do Morro da Coroa. "Foi uma covardia", disse a presidente da Associação de Moradores da favela, Cátia Regina.
A mãe de Silva, a dona de casa Edilamar Marques da Silva
afirmou que os policiais arrastaram o corpo do estudante pela vielas da favela, após matá-lo. Os PMs já foram afastados da função pelo Comando da Polícia Militar e vão responder a inquérito. Eles alegaram que o adolescente estava sentado com traficantes, que teriam reagido com tiros à operação.


