Moradores do Jardim Califórnia cobram explicações da Sanepar
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domingo, 03 de janeiro de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Ano novo, problema antigo. Moradores do Jardim Califórnia, na zona leste de Londrina, estão apreensivos com a série de tremores de terra registrada no bairro. Na tarde do dia 1º, enquanto comemoravam a chegada de 2016, um forte abalo foi sentido por volta das 16h30. "Foi assustador. Meu filho mais velho ficou apavorado e correu para o quintal. Parecia que a casa estava chacoalhando. No dia 31, eu senti a terra tremer várias vezes", contou o eletricista Getúlio Batista.
A sequência de abalos começou no início de dezembro. Barulhos de explosão seguidos de tremores de terra passaram a fazer parte do dia a dia da vizinhança. No dia 14 de dezembro, o Centro de Sismologia da USP registrou abalo sísmico de magnitude 1,8 na escala Richter. A constatação foi feita por meio de equipamentos instalados na cidade de Fartura (SP), a 163 km de Londrina. No entanto, até a manhã de ontem, nenhum outro abalo havia sido confirmado pelo Centro de Sismologia.
Assustados, aproximadamente, 30 moradores se uniram na manhã de ontem para pedir providências e explicações do poder público. Grande parte da vizinhança acredita que o problema esteja ligado às novas tubulações da Sanepar. "Quando os técnicos passam por aqui, o problema para. Vamos encaminhar ofício para que a Sanepar nos dê uma resposta, apresente laudos e documentos que comprovem que não existe irregularidade. Também vamos procurar a prefeitura", garante o aposentado Edson Corneta. "A sensação é terrível. O chão treme e você não sabe o que fazer. Você fica de mãos atadas. Queremos saber o que está causando esse problema", desabafa a professora Jacira Herek. Os tremores também foram sentidos em bairros próximos.
Alguns moradores alegam que os tremores têm causado rachaduras nas casas. O empresário Zacarias de Lima apontou trincas nos muros e na laje de um dos cômodos. "Foram mais de dez tremores nos últimos dois dias. Acontece com mais frequência nos fins de semana e feriados. Estranho ser terremoto com dia marcado", afirma. Após orientação da Defesa Civil, ele anota os horários e a intensidade dos abalos para auxiliar o monitoramento das ocorrências.
Em nota, a Defesa Civil informou apenas que "está tomando todas as medidas necessárias para o momento, monitorando todos os registros feitos pelos moradores daquela região, através do telefone 199". Professores da USP e do Departamento de Geociências da UEL devem auxiliar nas investigações sobre as possíveis causas.
O gerente-geral da Sanepar, Sérgio Bahls, negou que haja problemas na tubulação de água e na adutora da companhia. "Não existe essa possibilidade. Os técnicos fazem acompanhamento 24 horas por dia. Todos os equipamentos de segurança necessários foram instalados", argumenta. Segundo ele, a primeira adutora construída no bairro foi instalada em 1991. "A segunda adutora entrou em operação há 14 meses e é similar a primeira. Não há irregularidades. Com os equipamentos, não existe a possibilidade de bolhas de ar na tubulação", garante. Em média, 185 milhões de litros de água passam diariamente pelo bairro. Conforme Bahls, uma reunião será marcada na próxima semana para esclarecer as dúvidas dos moradores.


