Imagem ilustrativa da imagem Moradores do Flores do Campo são notificados de reintegração
| Foto: Marcos Zanutto/20-11-2017



Os ocupantes do Residencial Flores do Campo foram notificados na manhã desta terça-feira (21) da reintegração de posse à Caixa Econômica Federal, responsável pelo empreendimento imobiliário que foi abandonado pela construtora, inacabado, há cerca de dois anos. A ordem, expedida pelo juiz federal Oscar Alberto Mezzaroba Tomazoni, determina que os atuais moradores sejam retirados do local num prazo de até 60 dias. A ordem de reintegração é datada de 9 de maio deste ano.

A ordem de reintegração de posse foi entregue por um oficial da Justiça Federal, acompanhado por representante da Caixa, da Polícia Federal e da Polícia Militar, conta a representante dos moradores Eliana Marques. "Os policiais chegaram com armas nas mãos, colocando medo nas pessoas. São pessoas carentes, não tem bandido aqui", reclama.

Ela ressalta que os moradores estão em negociação com o poder público para que tenham amparo no momento da retirada dos ocupantes. As conversas, que começaram em abril, não chegaram a uma definição de encaminhamento.

Carlos Henrique Santana, representante do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, reprova a reintegração de posse sem uma alternativa de moradia para os ocupantes do Flores do Campo. Para ele, a medida não resolve o real problema do local, que é o destino das famílias. "A questão principal é como realocar essas pessoas. Para mim, essa medida é 'enxugar gelo'", afirma. Uma comissão que acompanha a situação dos moradores se reúne com o prefeito Marcelo Belinati (PP) na tarde desta terça para avaliar os próximos rumos da desocupação.

Santana também disse que o grupo de trabalho não se reúne "há muito tempo", sem ter chegado a uma solução para as famílias.

Por telefone, a assessoria da Caixa Econômica Federal informou que apenas acompanhou a notificação dos moradores e que a responsabilidade da remoção é da Secretaria Municipal de Assistência Social. O órgão de comunicação justificou que a notificação pretende incentivar uma saída pacífica dos moradores antes de uma ação de remoção.

O Residencial Flores do Campo tem 1.218 unidades habitacionais para famílias de baixa renda. Financiado com recursos do Minha Casa Minha Vida, foi abandonado em meados de 2016 pela construtora, que alegou não ter condições financeiras de continuar a obra, que acabaram invadidas por famílias sem moradia.

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