Moradores do ES pedem volta do policiamento
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2017
Carolina Linhares<br>Folhapress 
Vitória - Cinco dias após a onda de violência que resultou em dezenas de mortes, saques e mudanças no cotidiano dos moradores da Grande Vitória, um contramovimento ganhou força nesta terça (7) exigindo a volta dos policiais às ruas das cidades capixabas. Em frente ao quartel do Comando-Geral da Polícia Militar em Vitória, moradores que pediam a volta do policiamento discutiram com familiares dos policiais, na tarde desta terça. Conflito semelhante foi registrado em Guarapari, no litoral do ES. Houve tentativa de diálogo entre mulheres de ambos os lados, mas a tensão cresceu quando os manifestantes contrários à paralisação atearam fogo em pneus, bloqueando uma avenida, o que levou o Exército a agir.
"Polícia, cadê você, vim aqui só pra te ver", entoavam os manifestantes. Do outro lado, familiares e policiais à paisana respondiam: "Cadê o governador?". A tensão continuava no início da noite.
Nesta terça, segundo o governo do Estado, havia 80 homens da Força Nacional nas ruas e outros 120 chegariam à noite para atuar na contenção da onda de violência que deixou 75 mortos desde sexta (3), segundo o Sindicato dos Policiais Civis. O Estado não confirma o total de mortes. Outros 500 policiais estavam nas ruas, ante um efetivo normal de 2 mil homens. A previsão da PM é que o número cresça nesta quarta (8).
"Duas lojas da rede em que trabalho foram saqueadas, além de lojas de amigos que foram roubadas. Concordo com o aumento do salário, mas não com a forma [paralisação], que prejudica a população", disse Geane Lopes da Silva, gerente de loja. Funcionária de uma lanchonete na capital, Valença Valfre disse que acumula prejuízos desde domingo (5). "Fechou porque teve um arrastão e não abriu mais."
Apesar da presença da Força Nacional e do Exército, o Estado teve mais um dia violento. Um tiro atingiu um ônibus, houve um tiroteio no bairro Santa Rita, em Vila Velha, e em Serra, um condomínio de prédios foi invadido.
Desde sexta, familiares de policiais fazem manifestações em frente aos batalhões da corporação. Como os PMs são proibidos de realizar greves pela Constituição, seus familiares fazem a frente do movimento que bloqueia os batalhões e reivindica reajuste salarial de 65% até 2020.


