Moradores de Barreiros tentam salvar seus pertences; 15 cidades pernambucanas estão em estado de emergência por causa das chuvas
Moradores de Barreiros tentam salvar seus pertences; 15 cidades pernambucanas estão em estado de emergência por causa das chuvas | Foto: Léo Caldas/AFP



Salvador - A escassez de água potável e alimentos após as chuvas que atingiram Alagoas e Pernambuco fez com que famílias disputassem sacos de comida molhados e cobertos de lama descartados por supermercados.

A cena aconteceu em Palmares (PE), em frente ao supermercado Confiança, no centro da cidade. A loja descartou uma série de produtos alimentícios que foram estragados pela enchente na segunda-feira (29), atraindo dezenas de pessoas.

Com sacos plásticos nas mãos, os moradores recolheram o máximo de alimentos para tentar reaproveitá-los. A Polícia Militar foi chamada para evitar tumultos e teve que fazer uma barreira enquanto os alimentos eram descartados por funcionários da loja.

Assim que as portas do supermercado foram novamente fechadas, a polícia liberou o acesso à calçada em frente a loja, criando um "efeito manada" na disputa pelos alimentos
Palmares é uma das 15 cidades pernambucanas em estado de emergência por causa das chuvas. Segundo a Defesa Civil, cerca de 8 mil dos 65 mil moradores estão desalojados ou desabrigados após a cheia do rio Una, que subiu quase dois metros e alagou parte da cidade.
Os alagamentos causaram estragos nas rodovias que dão acesso à cidade, como a BR-101. Três escolas servem de abrigo às famílias desabrigadas.

ESTRAGOS
As fortes chuvas que atingiram parte do litoral nordestino resultaram em sete mortos, seis desaparecidos e 54 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco e Alagoas.
O temporal atingiu as regiões da zona da mata e agreste de Pernambuco, norte de Alagoas e a região metropolitana de Maceió, causando alagamentos e deslizamentos de terra.
Cidades ficaram parcialmente submersas, rodovias foram interditadas, escolas estão sem funcionar e até hospitais foram atingidos por alagamentos.

A Defesa Civil de Pernambuco contabilizou 45 mil pessoas desabrigadas (abrigadas em prédios públicos) ou desalojadas (na casa de amigos ou parentes). Duas pessoas morreram soterradas na cidade Lagoa dos Gatos, agreste pernambucano, e outras duas estão desaparecidas em Caruaru.

No Estado de Alagoas, quatro pessoas morreram após um deslizamento de terra em Maceió e três mil famílias - cerca de 9 mil pessoas, segundo a Defesa Civil - estão desabrigadas ou desalojadas em 18 cidades.

RECURSOS
Em reunião nesta terça, em Brasília, com os governadores de Alagoas, Renan Filho, e de Pernambuco, Paulo Câmara, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, assegurou que haverá repasse de recursos para ações emergenciais nos estados que sofrem com estragos causados pelas chuvas. O ministro reconheceu a situação de emergência em municípios de Alagoas e Pernambuco.

O reconhecimento federal será publicado por procedimento sumário no Diário Oficial da União desta quarta-feira (31) e o aporte financeiro poderá ser liberado ainda esta semana, de acordo com o ministério. Cerca de R$ 30 milhões devem ser aplicados nas medidas de apoio federal.
Entre as ações previstas estão recursos para a instalação de hospitais de campanha do Exército, aquisição de kits de ajuda humanitária, auxílio às famílias desabrigadas, contratação de maquinários para limpeza das vias públicas e ações de recuperação de danos nas regiões mais afetadas pelas fortes chuvas.

CHUVAS NO SUL
Além do Nordeste, as chuvas dos último dias também causaram transtornos em parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, subiu para 19 o número de municípios em situação de emergência devido à chuva, que já tirou de casa 2.384 pessoas.
Segundo boletim da Defesa Civil gaúcha, as chuvas causaram danos em 60 municípios, com 1.889 pessoas desalojadas (em casas de parentes ou amigos) e 495 desabrigadas (em abrigos públicos).

Em Santa Catarina, após 72 horas de chuva, 162 catarinenses tiveram que deixar suas casas. A situação mais grave era em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, onde o rio já subiu quase nove metros e o risco de enchente é iminente. Os moradores da cidade foram obrigados a deixar suas residências e estão alojados em cinco abrigos públicos, improvisados em salões paroquiais. (Com Agência Estado e Agência Brasil)

mockup