São Paulo, 11 (AE) - Enquanto diversos moradores das imediações da Avenida água Espraiada aguardam indenização, outros acusam a Prefeitura de tirar proveito da valorização propiciada por obras realizadas na região na gestão Paulo Maluf. Segundo eles, a atual administração está oferecendo indenizações por valores abaixo do mercado para lucrar em transações posteriores.
Albertina da Assunção Costa, de 70 anos, disse não ter recebido "um tostão" pela área do seu terreno "tomada" pela administração, situada entre as Avenidas água Espraiada e Engenheiro Luiz Carlos Berrini. "A Prefeitura demoliu minha casa, não me pagou e ainda alugou o terreno para uma banca de jornal."
De acordo com Albertina, a desapropriação ocorreu há um ano. "Mas estou sendo perturbada desde o início das obras", afirmou, referindo-se ao governo Maluf, quando parte da casa foi demolida. Hoje morando num casebre que sobrou no terreno, ela entrou com processo para receber a indenização.
O comerciante Francisco Ribeiro de Jesus, de 66 anos, fez o mesmo. Ele acusa a Prefeitura de tê-lo pressionado a entregar sua casa, construída num terreno de 250 metros quadrados. Jesus garantiu que corretores avaliaram a área em cerca de R$ 80 mil. "Mas a Prefeitura quer pagar apenas R$ 32 mil", disse.
Jesus explicou que os moradores sofrem com processos de desapropriação desde 1973, mas há cinco anos, com as obras de Maluf, a pressão piorou. "A Prefeitura quer tirar todo mundo para vender as áreas a preço de ouro."
O comerciante afirmou que muitos dos vizinhos foram enganados e receberam uma "miséria". "Outros tiveram de ir para baixo da ponte, porque não receberam nada."
O secretário de Negócios Jurídicos, Edvaldo Brito, disse que vai analisar os casos. Ele negou que a Prefeitura tenha desapropriado áreas para alugar.
Mas o Município não está em débito apenas com donos de imóveis desapropriados. Segundo o advogado Antônio Carlos Zingaro, a Prefeitura deve cerca de R$ 193 milhões em ações trabalhistas, os chamados precatórios alimentares.

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