Moradores deixam de receber tarifa social
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Danilo Marconi <br>Reportagem Local 
Londrina - Centenas de moradores do Residencial Vista Bela (Zona Norte) não estão inscritos no programa de tarifa social da Sanepar, e muitos não sabem o motivo. O projeto atende famílias cuja renda não pode ultrapassar meio salário mínimo por pessoa. O consumo pode chegar a 2,5 metros cúbicos por habitante.
Alguns moradores receberam contas distantes da realidade local. Em janeiro, a do aposentado Ivo Paulino da Silva foi de R$ 95,60. ''Recebo apenas um salário mínimo por mês. Vou ter que dar um jeito'', disse. Laureci Gonçalves de Oliveira também estranhou a conta alta no início deste mês. ''Vai atrapalhar meu orçamento porque só eu trabalho em casa'', disse a zeladora, que recebe um salário mínimo e terá que pagar R$ 34 de água.
O maior problema vem ocorrendo com os moradores dos apartamentos. ''Quando pegamos as chaves não recebemos informação que poderíamos ter tarifa social. Receberam essa informação depois, através da construtora'', comentou o síndico do Residencial Vista Bela II, Laércio Melo.
Foram três meses de convencimento dos condôminos até a regularização da situação. Este é o único residencial na tarifa social do Vista Bela. Em fevereiro, cada morador vai pagar R$ 8,70 de água. Entretanto, outro problema foi evidenciado: a leitura será coletiva. ''Temos hidrômetros individuais, mas a conta vem em nome do condomínio porque a leitura é feita apenas nos blocos'', explicou.
A medida fere as legislações federal e estadual, que determinam medição individual de água em condomínios. Sanepar e Cohab divergem sobre o assunto. ''Isso foi um critério adotado pela Cohab e Caixa, agente financiador. Não tem hidrômetro (individual) pelas características do local'', disse a gerente regional da Sanepar, Mara Lucia Pereira Kalinowski.
''Todos os apartamentos têm hidrêmetro individual, isso é exigido e garantido por força de lei'', rebateu o presidente da Cohab, João Verçosa.
''No condomínio, o hidrômetro individual existe, mas não sabemos qual o nosso consumo mensal. Acho que vem tudo junto no condomínio. O último veio R$ 100'', contou a vendedora Sonia de Fátima. Ela paga R$ 128 de mensalidade no Minha Casa, Minha Vida.
As altas taxas podem ter influenciado a inadimplência no condomínio. O Residencial Vista Bela II tem R$ 31 mil a receber dos condôminos . ''Temos que garantir o direito do cidadão de ter acesso a Tarifa Social e a Luz Fraterna. O critério usado foi rígido e comprovado que os moradores são de baixa renda, senão não tinha sentido'', criticou João Verçosa.
O Vista Bela foi considerado o maior canteiro de obras do Programa Minha Casa, Minha Vida no País. São mais de 2,7 mil unidades, em um investimento superior a R$ 110 milhões. O empreendimento foi construído pelo Consórcio Vista Bela, composto pelas construtoras Artenge, Protenge e Terra Nova. Operários concluem as últimas habitações; as chaves já foram entregues para 2.056 famílias.


