Um grupo de moradores de São Luiz (Zona Leste de Londrina) fez ontem um protesto na Câmara Municipal para cobrar apoio dos vereadores para impedir a instalação de uma fábrica da GNB Indústria de Baterias Ltda nas proximidades do distrito. A doação de um terreno para a empresa foi aprovada em dezembro de 2006.
A manifestação resultou em dois encaminhamentos práticos: o agendamento de uma audiência pública, que será realizada no bairro ainda esse mês, e a apresentação de um projeto de lei revertendo a doação.
De acordo com representantes do bairro, cerca de 2,5 mil moradores devem participar da audiência, que será no dia 19, às 19 horas, no salão nobre da escola estadual do bairro. Os moradores disseram ser favoráveis à instalação de indústrias, desde que não haja risco para o meio ambiente.
''O problema é que no local existe um manancial que abastece até o Rio Tibagi, que é usado no abastecimento de Londrina. A instalação vai prejudicar quem mora em São Luiz e quem mora na cidade'', declarou o produtor rural Eduardo Gomes de Araújo. Outra preocupação é a desvalorização da terra local.
Segundo Araújo, poucos moradores da localidade sabiam da futura instalação da empresa. Na aprovação da doação no ano passado, um grupo de moradores foi à Câmara para cobrar a aprovação do projeto.
O vereador Marcelo Belinati (PP), que apresentou projeto de lei para reverter a doação, disse que a discussão da votação foi em torno do tamanho do terreno, de 15 alqueires, mas não sobre riscos ambientais. ''Há tempo hábil para que o projeto seja votado ainda esse ano'', disse.
Para o diretor da empresa Jorge Montese, o risco de contaminação do meio ambiente por chumbo é ''nulo.'' Ele argumenta que os processos de fabricação e reciclagem de baterias não geram efluentes nem poluição atmosférica. E que os resíduos sólidos serão encaminhados para o aterro sanitário. ''As nascentes ficam do outro lado de onde será a construção'', disse. Ele não descartou a participação na audiência pública e afirmou que a empresa respeita a definição dos técnicos.
No local, a empresa começou o cercamento, plantio de mudas e perfuração de poços artesianos. A licença prévia foi emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em 11 de setembro. O órgão tem até março para emitir um parecer sobre o licenciamento definitivo. O chefe-regional do IAP em Londrina, Carlos Alberto Hirata, confirmou que o licenciamento está em fase de análise em Curitiba.

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