São Paulo, 21 (AE) - Cerca de cem moradores de Santo André, na Grande São Paulo, fizeram um protesto hoje contra a construção de um aterro sanitário na cidade. A manifestação, que foi coordenada por representantes da Campanha Billings Eu te Quero Viva, foi realizada no Parque do Ibirapuera. "O Ibirapuera é uma área verde muito simbólica para todos nós", justificou o coordenador da Billings Eu Te Quero Viva, Carlos Bocuhy.
Segundo ele, o ato foi um alerta para a preservação das áreas verdes em toda a metrópole. "A cidade de São Paulo tem apenas 0,8 metro quadrado de verde por habitante, 20 vezes menos do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde", exemplificou.
O principal motivo da manifestação foi a construção de um aterro sanitário no Parque Guaraciaba, em Santo André. Segundo Bocuhy, a área, que possui aproximadamente 512 mil metros quadrados, preserva um pedaço de Mata Atlântica nativa e vários lagos e nascentes de água. "Além disso, trata-se de um ponto importante para o lazer da população local", completou.
Uma faixa de 10 metros foi pendurada na estátua de Pedro álvares Cabral para chamar a atenção das pessoas no Ibirapuera. Amanhã o grupo solicitará a abertura de uma ação civil pública no Ministério Público Estadual (MPE) para impedir a construção do aterro. No pedido, será anexado um abaixo-assinado com 40 mil assinaturas contra a obra.
"Queremos chamar a atenção das autoridades na luta pelo Parque Guaraciaba", disse Ana Aparecida dos Santos, que mora próximo ao parque. "O aterro atende interesses econômicos, já que ele será administrado por uma empresa particular", completou.
O secretário de serviços municipais de Santo André, Klinger Oliveira Souza, informou que a área do Parque Guaraciaba
que fica ao lado do aterro municipal, atualmente está abandonada. A área foi desapropriada pela prefeitura em 1991. Em 1992 foi inaugurado um parque, que ficou aberto apenas um ano. "Em 1993, a prefeitura queria devolver a área porque não tinha dinheiro para pagá-la, mas os donos não aceitaram", disse o secretário.
A questão provocou um litégio legal e, em 1997, a prefeitura deveria pagar um precatório - dívida proveniente de sentença judicial - de R$ 54 milhões aos donos da área e assumir o terreno. "A empresa que explorará o aterro deverá pagar o precatório e construir um parque de 55 mil metros quadrados no terreno que abriga a Mata Atlântica, para a população", disse Souza.

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