"A rua me destrói". A declaração é de Irineu de Oliveira Reis, de 32 anos, que passou a ter o céu de Londrina como teto quando ainda era criança. Ele vive até hoje entre abrigos e recaídas, e, atualmente, mora em um albergue da Associação Pão da Vida (APP) e depende de 'bicos' para sobreviver. Usuário de crack, pai de três filhas e repleto de cicatrizes de uma vida difícil, o homem chama a rua de "mãe" e afirma que foi criado por ela, mas garante que nunca mais quer voltar a dormir ao relento. "Passei fome, apanhei da polícia e fui humilhado. Não desejo isso a ninguém", destacou.

Reis participou na tarde desta terça-feira (19) de um evento promovido pela Associação Nacional de Moradores de Rua na Concha Acústica (centro). Os integrantes da entidade 'abraçaram' o cartão-postal de Londrina por mais oportunidade e menos preconceito e discriminação. "Falta respeito, cidania e igualdade. O sistema é falho, a estrutura do poder público é pequena e o número de andarilhos não para de subir. A situação não pode continuar como está", destacou o coordenador da associação em Londrina, Milton Santana Filho.

De acordo com ele, Londrina se tornou o destino de moradores de rua de diversos municípios da região. "Eles vêm das cidades pequenas atrás de alguma oportunidade. A cidade se tornou a 'capital' do trecheiro" e o sistema não consegue dar conta", argumentou.

O evento desta terça-feira também contou com apresentações musicais de hip-hop e prestação de serviço aos moradores de rua, que contaram com atendimento médico da equipe de Redução de Danos da Secretaria de Saúde, orientação jurídica da Defensoria Pública e cortes de cabelo gratuitos do Sindicato dos Cabeleireiros.

O abraço à Concha Acústica também lembrou da chacina ocorrida em 2004 na praça da Sé (SP), quando sete moradores de rua que dormiam no local foram assassinados.

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