Sobre o déficit de moradias no País, o advogado Nelson Saule Jr. afirmou que, até hoje, não houve uma política habitacional que realmente atendesse a necessidade da população. ''A canalização dos recursos nunca priorizou a população que realmente precisa de moradia, já que a lógica do sistema financeiro é priorizar quem tem renda'', criticou.
No entanto, as organizações que congregam o Fórum Nacional de Reforma Urbana têm a expectativa de que com a criação do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social as famílias com renda de até três salários mínimos passem a ser beneficiadas pelos programas habitacionais ou com a regularização e urbanização de áreas de invasão. Saule Jr. acredita que R$ 1,2 bilhão previstos para o Fundo Nacional de Habitação comecem a ser aplicados já no próximo ano.
Para o casal Lucilene Alves de Oliveira, de 30 anos, e Marcelo Carneiro Lopes, de 26, a consolidação de um programa habitacional viria em boa hora. Ambos desempregados, vivem, precariamente, em uma casa de quatro cômodos na Vila Icaraí - área de ocupação irregular na região leste de Curitiba. A única renda do casal para sustentar os dois filhos de Lucilene - Giovani, de 10 anos, e Jean Carlos, de 7 - vem do programa Bolsa Família (R$ 80,00).
Atualmente, Lucilene e Marcelo ainda dividem a casa com parentes que tiveram seus móveis furtados. Apesar da condição precária em que vivem - sem acesso à luz e água encanada -, os dois afirmam que foi a única alternativa para ter um lugar para morar. Mas o casal já sabe que terá que desocupar a casa - pela qual pagaram R$ 1 mil -, pois a área onde estão não está incluída no processo de regularização da prefeitura.
Laércio Amaral Santos Sobrinho, de 61 anos, tem esperança de ter o seu imóvel - que fica na mesma região - regularizado. Quando se mudou para a Vila Audi, há cinco anos, para ter luz e água só por meio de ligações clandestinas. As redes elétrica e de abastecimento já foram implantadas, mas as condições da moradia são bastante precárias. Desempregado, ele conta com a ajuda de irmãos para se manter e admite que terá dificuldade em pagar pela regularização. (A.L)

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