Moradores de Morro do Rio teme projeto de recuperação da favela
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 29 (AE) - Os moradores do Morro Dona Marta, em Botafogo, na zona sul do Rio, têm acompanhado com apreensão as negociações entre o governo e a prefeitura para a recuperação da favela. Eles rejeitam a proposta do governador Anthony Garotinho
de abrigar as 1.400 famílias que vivem no morro em um conjunto habitacional de 45 prédios. "Estamos tensos, nem conseguimos dormir", diz o presidente da Associação de Moradores, Moacir Joaquim Neto, de 66 anos. O prefeito Luiz Paulo Conde e Garotinho se reuniriam hoje para discutir uma solução para a favela, mas o encontro foi adiado.
Joaquim Neto diz que os moradores preferem o projeto Favela-Bairro, da prefeitura, que prevê a pavimentação de ruas e instalação de rede de esgotos. "Se o prefeito tem de demolir uma casa, ele constrói outra na mesma área; não queremos é sair de Botafogo, que é perto de tudo", afirmou o líder comunitário. Mas os barracos foram construídos de forma tão desordenada que dificulta qualquer tipo de obra na favela.
O principal argumento dos moradores contra o projeto do governo é que eles não querem ser confinados em apartamentos. "As pessoas têm casa de dois ou três andares, um terraço para brincar no fim de semana, ninguém quer trocar seu barraco por um cubículo", explica Joaquim Neto.
A ocupação irregular na favela, em que o cantor Michael Jackson gravou um clip em 1996, já provocou desabamentos em 1966
1969 e 1989. Instalações elétricas precárias causaram incêndio que destruiu muitos barracos em 1992. O projeto do governo para a construção dos prédios está orçado em R$ 37 milhões. O Favela-Bairro custaria R$ 7 milhões.


