Curitiba- Dezenas de pessoas participaram ontem de uma passeata em Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba) para pedir paz. A maior parte dos manifestantes eram crianças estudantes da escola mantida pela ONG Monte Horebe e que carregaram cartazes com mensagens pedindo o fim da violência.
A manifestação foi motivada pelo assassinato da adolescente Tayla Michele Agner, 15 anos, morta em um assalto à panificadora da família dela, na última sexta-feira, e pela reação violenta de parte da população, que depredou os prédios da prefeitura, da Câmara Municipal, agências bancárias, a delegacia local e o módulo policial. A prefeitura informou que, além das depredações, ocorreram saques. Há três anos, havia ocorrido outro quebra-quebra na cidade, devido à morte do comerciante Luiz Motim.
O diretor-executivo da ONG Monte Horebe, Paulo Araújo, disse que a população repudia tanto a falta de segurança quanto reações radicais. ''O nosso meio de reivindicação é outro. O ciclo de violência só pode ser quebrado com ações pacíficas'', disse o diretor.
O diretor de marketing da Associação Comercial de Itaperuçu, Disney de Barros, afirmou que teme que o município fique marcado como um local violento. ''A imagem da cidade ficou abalada. Parentes meus de outras cidades me telefonaram logo depois que souberam do que tinha acontecido em Itaperuçu. Indústrias podem deixar de investir aqui se a cidade ficar associada à violência'', argumentou Barros.
Segundo a Monte Horebe, a cidade, de cerca de 25 mil habitantes, tem apenas dois policiais em cada turno para fazer o plantão. A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que o policiamento foi reforçado em Itaperuçu. Ainda assim, o clima de insegurança permanece. ''Esse reforço é só por alguns dias. É fogo de palha. Daqui a pouco vão embora. A gente fica assustado'', disse o morador Roberto Bonfim, operador de uma fábrica de cimento.

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