Moradores de edifício chique vão à Justiça para tirar 17 cães de apartamento
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 08 (AE) - Os moradores do Condomínio Praia Guinle, um dos endereços mais caros do Rio de Janeiro, querem a saída dos 17 cachorros que vivem no apartamento 1.401, da ambientalista Fernanda Colagrossi. Reclamando dos latidos e do mau cheiro que, alegam, exala do 14º andar, os condôminos estão entrando com uma ação na Justiça para despejar os animais. "O cheiro é insuportável", afirmou a síndica, Célia Giesta. No edifício há um apartamento por andar, cada um com 675 metros quadrados.
As primeiras reclamações contra os cachorros partiram da cantora Simone, que mora na cobertura, logo acima de Fernanda; e do cantor e compositor Gilberto Gil, morador do 13º andar. "A Simone, com toda razão, vem reclamando do cheiro", contou Célia. "Gil se incomoda muito com o barulho dos latidos." Além de falar com a síndica, Simone deixa, diariamente, uma carta no livro de ocorrências do condomínio, reclamando dos animais.
"É pena que ela escreva mau cheiro com a letra L", provocou Fernanda. "Deixei um recado no livro esclarecendo que mau é com U." A ambientalista acusou a cantora de estar desequilibrada. "Ela já esmurrou a minha porta e costuma jogar baldes de creolina na minha varanda", contou. Em uma de suas reclamações, Simone apontou os cachorros de Fernanda como responsáveis pelo aparecimento de moscas varejeiras no prédio. "Chamei a Fundação de Engenharia de Meio Ambiente (Feema) e tenho um laudo atestando que esse tipo de mosca só aparece onde há ratos mortos", afirmou.
Simone reclamou também dos gritos estridentes de uma arara. "Na verdade, tenho uma cacatua também, mas ela fica nos fundos, não incomoda", afirmou Fernanda. A ambientalista disse ainda que tem quatro empregados (um tratador, dois ajudantes e um faxineiro) apenas para cuidar dos cachorros. Ela reformou a sala de almoço do apartamento, transformando-a em um espaço para os bichos. "Esse lugar é lavado três vezes por dia", garantiu.
Os cachorrinhos parecem ter pouca chance de continuar vivendo no refinado endereço. "Nesse caso, me parece que deve prevalecer o bom senso: dezessete é muita coisa", afirmou o advogado do Instituto Nacional de Proteção aos Animais (Inpa), Ronald Peterson, especializado em defender animais.


